Festival de documentários começa sexta-feira em SP

Por Nadia

Com uma homenagem ao cineasta Eduardo Coutinho, morto no início deste ano, e exibindo também filmes que mostram as manifestações de junho do ano passado no Rio de Janeiro e em São Paulo, o festival de documentários É Tudo Verdade vai ser aberto ao público na próxima sexta-feira, em São Paulo. O evento ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro até o dia 13 de abril e será realizado também em Campinas, entre os dias 22 e 24 de abril; em Brasília, entre 30 de abril e 4 de maio; e em Belo Horizonte, de 24 a 27 de julho. O festival é gratuito.

Definido por Amir Labaki, fundador e diretor do festival, como um “ano de descobertas”, o evento vai apresentar 77 títulos de 26 países, 19 deles em première mundial. “Nada menos que seis dos sete longas nacionais concorrentes são dirigidos por realizadores que nunca disputaram o festival. Também todos os diretores na competição internacional de longas – menos Alex Gibney – concorrem pela primeira vez. Além disso, as retrospectivas trazem uma marca extra de ineditismo, com a primeira dedicada a uma cineasta brasileira, Helena Solberg, e também a primeira a um cineasta oriental, Shohei Imamura”, disse Labaki.

A homenagem ao cineasta Eduardo Coutinho (1933-2014) ocorre por meio da exibição de Sobreviventes da Galileia e A Familia, de Elizabeth Teixeira, que ele produziu como extras para a edição em DVD de seu famoso filme Cabra Marcado para Morrer. Já o diretor Leon Hirszman (1938-1987) será homenageado com a pré-estreia de Posfácio-Imagens do Inconsciente, longa montado por Eduardo Escorel e que complementa a trilogia Imagens do Inconsciente.

As manifestações de junho do ano passado foram registradas em dois documentários que serão exibidos no festival. O primeiro deles é 20 Centavos, de Tiago Tambelli, que registra as manifestações de rua em São Paulo. O outro, chamado de Com uma Câmera na Mão e uma Máscara de Gás na Cara, de Ravi Aymara, mostra uma discussão sobre profissionais, amadores e militantes que registraram imagens das manifestações no Rio de Janeiro.

A competição brasileira de longas e médias-metragens apresentará sete filmes. Já a competição brasileira de curtas vai apresentar nove filmes, seis deles inéditos. Na competição internacional, um dos destaques é o premiado Retorno a Homs, de Talal Derki, vencedor do Prêmio do Júri Internacional de melhor documentário do Festival de Sundance.

Fora de concurso, serão exibidos ainda documentários como Ruptura, de Pamela Yates, que retrata um grupo de economistas que se une a mulheres pobres da Colômbia, Brasil e Peru para colocar em prática projetos para erradicar a pobreza; Batalha pelo Rio, de Gonzalo Arijón, sobre a implantação das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro; e O Homem que é Alto é Feliz?, de Michel Gondry, com uma série de entrevistas com o filósofo e linguista Noam Chomsky, transformada em animação manual.

Outra homenageada desta edição do É Tudo Verdade é a brasileira Helena Solberg, que terá oito de seus filmes exibidos. Como parte da homenagem também será exibido o longa As Aventuras de Helena – Para o É Tudo Verdade, uma versão especial do programa sobre Helena Solberg, dirigido por Betse de Paula, e que foi realizada especialmente para o festival. Quem também ganha retrospectiva é o diretor japonês Shohei Imamura (1926-2006), que se utilizou da linguagem documental para mostrar a opressão social e as marcas deixadas pela Segunda Guerra Mundial. Seis filmes do cineasta serão exibidos, entre eles, seu primeiro documentário: Um Homem Desaparece.

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