Ditadura é tema de dança, teatro e cinema, 50 anos após golpe

Por Tercio Braga
Carlos Henrique Escobar protagoniza o documentário ‘Os Dias com Ele’ | Divulgação Carlos Henrique Escobar protagoniza o documentário ‘Os Dias com Ele’ | Divulgação

Para a jovem cineasta Maria Clara Escobar, “não é tão simples assim” falar da ditadura, nem “o que é dito necessariamente dá conta dos buracos do que não foi dito”. Foi pensando em abordar o impacto desses silêncios em sua própria vida que ela fez “Os Dias com Ele”, documentário em que busca se aproximar de um pai ausente que, por coincidência (ou não) foi preso e torturado durante a ditadura e hoje vive em Portugal.

Vencedor dos prêmios da crítica e do júri jovem na Mostra de Tiradentes do ano passado, o filme está na mostra Silêncios Históricos e Pessoais, que abriu ontem e segue até 6 de abril na Caixa Cultural com uma seleção de 17 títulos de países como Argentina, Chile e Uruguai. Muitos deles tematizam justamente as ditaduras vividas nesses países e abrem espaço para leituras poéticas do período do ponto de vista de hoje.

Segundo Maria Clara, esse olhar mais humanizado para a questão tem a ver com uma nova geração que olha o passado. “Acho que não dá para dissociar a questão pessoal da histórica. Desde o início eu sabia que queria fazer esse paralelo, de questionar os reais limites dessas duas esferas.”

A mostra é apenas um exemplo de uma série de eventos e de apresentações especiais que ocupam São Paulo nos próximos dias em busca de refletir sobre o impacto da ditadura a partir da arte.

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