Tom Hanks vive Disney em "Walt nos Bastidores de Mary Poppins"

Por Caio Cuccino Teixeira
Tom Hanks e Emma Thompson reencenam os atritos de Disney e P.L. Travers em ‘Walt nos Bastidores de Mary Poppins’ | Divulgação Tom Hanks e Emma Thompson reencenam os atritos de Disney e P.L. Travers em ‘Walt nos Bastidores de Mary Poppins’ | Divulgação

Parece improvável que um filme tão mágico quanto “Mary Poppins” (1964) tenha sido cunhado à base de atritos, discordâncias e má vontade. Mas é esse retrato que “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” mostra para os espectadores.

O filme, que estreia nesta sexta-feira, relata a história de como o manda-chuva dos estúdios Disney dobrou a criadora da personagem, P.L. Travers, e a convenceu a transformar a babá encantada da literatura no filme musical estrelado por Julie Andrews.

Desde que foi anunciada, a produção despertou curiosidade por suas atuações, com Tom Hanks no papel de Walt Disney e Emma Thompson na pele da escritora australiana (pela qual foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz). No entanto, o que se sobrepôs em seu lançamento foi a pouca semelhança desses atritos com o conflito real vivido entre os personagens.

“Pamela não era exatamente uma mulher amarga. Ela teve uma vida difícil e complexa não retratada no filme”, afirma a biógrafa da autora, Valerie Lawson. “A postura dela diante de Walt Disney é retratada como mais importante do que de fato foi. Ela não passou tanto tempo com ele em Hollywood em 1961. A tensão entre os dois é exagerada para tornar a história mais dramática”, aponta.

Segundo Lawson, o fator financeiro foi definitivo para a cessão dos direitos do livro: Travers receberia £100 mil e 5% do faturamento da produção. Mas isso não a fez aderir totalmente ao longa.

Captura de Tela 2014-03-06 às 18.56.24“No início, Pamela teve cuidado de não criticar muito o filme pois achava que haveria uma continuação que nunca existiu. Com o tempo, ficou muito preocupada com a forma como o longa tornou Poppins mais doce e bonita, e menos verdadeiramente mágica, do que ela havia criado nos anos 1930”, diz Lawson.

Entrevista – Emma Thompson

A atriz britânica, que viveu a escritora P.L. Travers em ‘Walt nos Bastidores de Mary Poppins’, reflete sobre a falta de mulheres como personagens históricas de peso.

Você é bem mais jovem do que a personagem que interpreta no filme.
Bem, não tanto. Tenho 54 anos e ela tinha 66 à época. Travers gostava de dividir a vida de uma mulher em três partes principais: ninfa, mãe e idosa. Pensei: por que não a interpretamos na transição entre mãe e idosa? Há ainda um tipo de Eros, uma possibilidade erótica para ela, mas você vê que isso nunca vai acontecer devido ao fato de ela se fechar demais.

Você citou um problema em encontrar personagens femininos heroicos históricos. Como consertar isso?
O que é heroísmo? Quando comecei a trabalhar no cinema, percebi que me identificaria com Marlon Brandon, porque ele é quem estava fazendo as coisas enquanto as mulheres ficavam dizendo: “não, não tome uma atitude de bravura, fique aqui comigo”. Comecei a ficar muito frustrada com isso e continuo assim porque é ainda algo muito comum. Não é fácil resolver o problema do heroísmo feminino porque, se as ações forem as mesmas dos homens, o que você vai fazer? Colocar uma arma na mão? Qual o sentido disso?

Vou pensar sobre isso…
Penso nisso o tempo todo. Algo vai surgir a respeito, mas é curioso que essa ainda seja uma questão. A resposta certamente não é “Salt” [filme de ação de 2010 com Angeline Jolie] – apesar de eu realmente gostar de “Salt”. Mas deve haver algo diferente, não?

Metro Internacional

Assista o trailer:

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