‘300 foi um divisor de águas’, afirma Rodrigo Santoro

Por fabiosaraiva
Desta vez, o ator brasileiro Rodrigo Santoro também aparece sem os pinduricalhos do personagem Xerxes | Reprodução Desta vez, o ator brasileiro Rodrigo Santoro também aparece sem os pinduricalhos do personagem Xerxes | Reprodução

Um dos astros de ‘300: A Ascensão do Império’, que estreia nos cinemas nesta sexta-feira, Rodrigo Santoro, o ator brasileiro mais badalado em Hollywood, conta ao Metro Jornal como foi revisitar o deus-rei do império persa Xerxes, sete anos após o primeiro longa da saga. Santoro não para. O ator, de 34 anos, está prestes a estrear seis longas neste ano. E está filmando, no Chile, o drama “The 33”, sobre os 33 mineiros chilenos que ficaram 69 dias presos em uma mina no deserto do Atacama, em 2010. O longa também traz no elenco o espanhol Antonio Banderas e a francesa Juliette Binoche. (Veja o trailer de  ‘300: A Ascensão do Império’ no final deste texto)

Como foi revisitar o Xerxes sete anos depois? Teve alguma exigência física?

Eu tinha feito ‘Heleno’ e baixado muito de peso. Isso sempre acontece, de um extremo ao outro, já estou acostumado. A sequência de “300” ficou uns 2, 3 anos para ter o sinal verde para ser feita. E quando ela realmente ficou concreta, eu estava 12 kg mais magro, mas tive tempo para retomar a forma. Foram quatro meses. É um personagem muito específico. Exige preparação física. Então pensei: o que vai ser interessante nessa história? E aí liguei para o Zack Snyder [roteirista do longa], e não tinha roteiro ainda. Tivemos uma conversa ótima e ele falou que queria tentar explicar um pouco mais o personagem que causou tantas reações. Porque o personagem, na verdade, quando eles o desenharam, tinha outro vilão, que maltratava a rainha… E o Xerxes, da forma como ele foi retratado e acabou virando, ganhou um espaço, e foi uma surpresa para todo mundo.

O ator brasileiro Rodrigo Santoro encarna novamente o personagem Xerxes | Reprodução O ator brasileiro Rodrigo Santoro encarna novamente o personagem Xerxes | Reprodução

O que achou mais interessante nesta sequência?

Agora tentaremos explicar melhor quem é esse deus-rei persa, tentar humaniza-lo. Foi isso que eu achei interessante, trazer um pouco da vulnerabilidade dele, explicar quem é esse deus-rei, o que aconteceu, trazer mais dimensão para o personagem.

Como foi trabalhar com o diretor Noan Murro?

O Noan é uma figura, é um diretor diferente do Zack [Snyder, que dirigiu “300”]. Mas ele é um cara que vem de uma formação muito clássica, eu acho que ele estudou música, dirigiu muitos comerciais e não tinha trabalhado muito com atores. Eu me entendi muito bem com ele. Fui o primeiro a filmar, eu comecei o processo. Eu tinha uma relação com muito diálogo. Eu vim pensando que se passaram 6 anos e com a tecnologia seria diferente, mais fácil. Com chroma, fundo azul, não ia falar com a fita crepe. E realmente não falei. Falei com a bolinha de tênis, na ponta de um bastão. Pensei: “De novo, não acredito!” [risos]

A falta de interação com outros atores o incomodou?

Não incomoda. Não tem uma troca, é um trabalho muito mais técnico. De certa forma, tem a ver com o teatro em uma forma apenas com a cadeira, foco e luz, projetando uma história para a plateia. Tem a ver com essa essência de imaginar tudo. Eu já sabia desse desafio, ao contrário do primeiro, que fui pego de surpresa. O primeiro foi uma loucura, mal conseguia dormir, filmava sozinho, na neve, no Canadá. Dessa vez estava preparado.

Como foi a questão da maquiagem do Xerxes?

Raspei o corpo todo, a não ser a sobrancelha, onde colocavam uma prótese em cima e depois a desenhavam. Tudo para seguir o desenho do Frank Miller (que criou o personagem), pela necessidade de ser fiel à HQ. Neste filme, a maquiagem foi mais curta. Foram 4h30. Começamos com os piercings [cerca de 12]. Para aplicá-los tem uma base de silicone. Depois tem a questão da cor do personagem. São três camadas de cor misturadas no corpo inteiro. Chegava no estúdio por volta das 4h, com dois maquiadores. E eu filmava até de noite.

Alguma coisa no seu corpo era computadorizada?

Não, nada. A barriga era minha… Eu tenho provas [risos]. Porque tem todo o jogo aeróbico, ficar na esteira. A voz era minha também. Algumas coisas tive que gravar, pois tem que ficar no grave, para poder fazer o efeito. É um trabalho muito completo, nunca fiz nada parecido.

O quanto o Xerxes influenciou sua carreira internacional?

Eu acho que “300”, sem dúvida alguma, foi um divisor de águas. Esse ainda não estreou, mas o primeiro longa abriu as oportunidades. Eu não esperava, aliás, ninguém que participou do projeto esperava, que ia ser o sucesso que foi. Todo mundo sabia que era muito interessante, com a linguagem do Zack, que na época era novo. Acho que beneficiou a todos que participaram. E no mercado de Hollywood, um sucesso traz um peso. E fazer parte de um filme como esse faz isso. O interessante é que durante muitos anos, não me ligavam ao filme, por toda a caracterização do personagem. Pensaram que eu era o filho do capitão, que perde a cabeça!

Como ficou sua vida Los Angeles-Rio?

Estou indo para o Atacama, filmar o longa dos mineiros chilenos [“The 33”]. Estou com seis filmes para estrear – “300”, “Rio 2”, “Pelé”, “Rio Eu Te Amo”, “Jane Got a Gun” e “Focus”. [O ator concedeu a entrevista ao Metro Jornal, em janeiro, antes de embarcar para o Chile].

Veja o trailer de  ‘300: A Ascensão do Império’:

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