Beija-Flor confirma favoritismo no primeiro dia do desfile no RJ

Por george.ferreira

No primeiro dia do desfile de escolas de samba do Grupo Especial do Rio o grande destaque foram as homenagens à História do Brasil e a herança dos povos africanos. Seis escolas passaram pela Sapucaí entre a noite de domingo e madrugada desta segunda: Império da Tijuca, Grande Rio, São Clemente, Mangueira, Salgueiro e Beija-Flor.

Império da Tijuca – Primeira escola a desfilar no Rio de Janeiro, a Império da Tijuca enfrentou diversos problemas na noite deste domingo. Apresentando um enredo com bases africanas, o “Batuk”, do carnavalesco Júnior Pernambucano, a agremiação deve lutar para não ser rebaixada para a Série A do Carnaval carioca de acordo com os comentaristas das rádios do Grupo Bandeirantes.

“Foi um desfile marcado por problemas, especialmente pela escola parada em alguns momentos e carros alegóricos que foram se desfazendo durante o desfile. E isso pode tirar alguns pontos da escola”, afirmou Pollyanna Brêtas.

“Os carros estão tiveram muita dificuldade para saírem da dispersão e isso atrapalhou um pouquinho. É sempre um momento de tensão quando um carro se aproxima. Apesar dos problemas técnicos da Império da Tijuca, o pessoal da diretoria saiu feliz do desfile”, disse Leonardo Monteiro.

“A Império tem um grande samba, mas as alegorias e a concepção tiveram algumas falhas. Vi alguns problemas de acabamento. É bom lembrar que esse quesito há uma separação entre concepção e realização. Eu achei que, na realização das alegorias, faltou um pouco de dinheiro. As fantasias, na concepção também estavam melhor do que nas alas”, comentou Bruno Filippo.

“Pelo que foi passado aqui, a Império da Tijuca deve lutar para conseguir se manter no Grupo Especial, tentando não cair para o Grupo de Acesso (a série A) aqui do Rio de Janeiro”, analisou.

Bruno ainda comentou sobre o problema que a escola teve para colocar seus carros dentro da Marques de Sapucaí. “O tamanho do carro se agigantou neste ano e eles têm que fazer uma curva para entrar no sambódromo, por isso vai ser comum vermos atraso na entrada das alegorias”, disse o especialista.

A Império da Tijuca abriu o desfile das escolas no Rio / Sergio Moraes / Reuters A Império da Tijuca abriu o desfile das escolas no Rio / Sergio Moraes / Reuters

Grande Rio – Apresentando o enredo “Verdes olhos de Maysa sobre o mar, no caminho: Maricá”, a escola Acadêmicos do Grande Rio encantou a Marques da Sapucaí com seu desfile. De início, um problema chamou atenção dos comentaristas das rádios do Grupo Bandeirantes.

“Segundo o regulamento, a escola pode levar até no máximo dois componentes em cima de um tripé. E tem muito mais em cima de um deles. Tem pessoas que ficam de olho nessas irregularidades. A Grande Rio com certeza vai ser punida por isso”, garantiu Bruno Filippo.

Outra ressalva constada foi o número de integrantes na Comissão de Frente da escola. “Porém, eles não ficam todos ao mesmo tempo. Assim, eles nunca ultrapassam o número limite definido pelo regulamento do Carnaval carioca”, comentou.

“O carro alegórico que representa o trem, o progresso de Maricá, deu problema. Toda vez que ele reproduz o som de buzina, a parte da frente se desliga. Tem dois funcionários da elétrica tentando emendar um fio de alta tensão, mas o carro não para”, contou William Fernandes da concentração.

No entanto, em linhas gerais, a escola foi bem em sua apresentação na Sapucaí. “Foi um belíssimo desfile, como há muito tempo a Grande Rio não apresentava. Muitos artistas desfilaram, mas o chão da escola foi muito forte. O que é o chão? Os componentes, as pessoas que desfilam nas alas. A parte estética foi muito bem trabalhada”, comentou Bruno Filippo.

“O enredo, de início, parecia confuso, mas deu muito certo na Avenida. Não era apontada com uma das principais favoritas para se ter uma boa colocação no Carnaval, mas pelo desfile que apresentou ela deve voltar para se apresentar no desfile das Campeãs. Quase certo isso, só não arrisco que lugar”, analisou.

“Ao final do desfile, o pessoal da direção gritou ‘É campeã’. Não houve nenhum problema nas alegorias, nem nas fantasias”, relatou Leonardo Monteiro da dispersão.

A Grande Rio encantou a Sapucaí / Pilar Olivares / Reuters A Grande Rio encantou a Sapucaí / Pilar Olivares / Reuters

São Clemente – Terceira escola a se apresentar na noite, a São Clemente enfrentou alguns problemas ao desfilar na Marques de Sapucaí na análise dos comentaristas das rádios do Grupo Bandeirantes.

De início, a escola pareceu apresentar problemas de evolução. “A escola passa com mais lentidão do que o resto das agremiações No início, ela vai mais lenta e depois ela irá evoluir mais rapidamente. Isso já está previsto pela São Clemente”, comentou Bruno Felippo.

De acordo com ele, a troca de carnavalesco não afetou o desfile. “Belo desfile. O enredo foi bem trabalhado pelo Max Lopes, que assumiu a escola em novembro no lugar da Bia Lessa. Estamos vendo uma escola bastante competente e que deve se manter no Grupo Especial do Rio de Janeiro”, disse.

Durante sua evolução, a escola acabou apresentando problemas e buracos. “Em frente ao primeiro módulo de jurados, o carro 1A andou e o 1B ficou parado. Então ficou um buraco de mais ou menos 50 metros”, Marcus Lacerda. “Isso reflete na dispersão. Com 36 minutos de desfile, nem sinal da escola por aqui”, comentou Leonardo Monteiro.

Em um dos carros, a São Clemente representou a música que mais ecoa nas comunidades. “Tem muita gente boa do funk: MC Serginho estava ali liderando aquela turma, na companhia da Gazela, sua dançarina, e da Mulher X-Tudão. Além dela, veio a MC Marcelly. Pura nata do funk carioca”, comentou William Fernandes na concentração.

Até mesmo a bateria fez uma homenagem ao ritmo, que agradou a Bruno Felippo. “Achei que não ficou muito caracterizado como funk, a bateria conseguiu condensar bem o samba com o funk”, disse.

Ao final, o especialista acredita que a escola terá dificuldades no dia da apuração. “Senti que em alguns momentos, algumas alas, não cantaram o samba da escola. E isso pode prejudicar a nota da escola em harmonia. Foi um bom desfile da São Clemente e ela vai lutar para permanecer no Grupo Especial”, finalizou.

Raphaela Gomes, rainha da bateria da São Clemente / Sergio Moraes / Reuters Raphaela Gomes, rainha da bateria da São Clemente / Sergio Moraes / Reuters

Mangueira – A Estação Primeira de Mangueira foi a quarta escola a se apresentar neste domingo, com um enredo em homenagens às grandes manifestações culturais e festividades brasileiras.

Cantando o samba “A festança brasileira cai no samba da Mangueira” a escola enfrentou problemas pontuais, além de ter visto uma de suas alegorias bater na torre de televisão da Marques de Sapucaí, devido ao excesso de altura.

Para os comentaristas das rádios do Grupo Bandeirantes, a escola não deve perder pontos por ter apresentado um tema similar ao que já foi apresentado na Avenida. “Cada escola é avaliada individualmente. Não tem comparação com outras agremiações, mesmo que o enredo tenha sido parecido em outros anos”, disse Bruno Felippo.

Outro problema apontado foi o sumiço do destaque principal do carro que representou a festa do boi de Parintins. “Deve ter acontecido alguma coisa com ele para ele não ter comparecido. A escola deve ter achado melhor colocar apenas a fantasia ali do que deixar o queijo vazio. Certamente isso vai ser notado pelos julgadores e a escola vai perder pontos em alegorias e adereços”, analisou Bruno Felippo.

No entanto, a escola tentou disfarçar essa falha quando foi questionada por William Fernandes na dispersão. “É uma coisa bem clara que falta o destaque, mas os integrantes da Mangueira estão tentando dizer que não tem espaço para o destaque principal ali, só para a fantasia”, reportou o jornalista.

Antes do fim do desfile, a escola enfrentou um novo percalço. A principal escultura deste mesmo carro alegórico ficou presa na torre de televisão da Marques de Sapucaí. “Toda escola sabe a altura dessa torre, é um erro injustificável”, comentou Bruno Felippo.

“A Mangueira fez um excelente desfile, mas não disputa o título. Não somente por esse erro pontual. Ela se credencia a voltar no dia do desfile das campeãs, mas acredito que não concorre ao título”, completou o especialista.

Integrantes da Mangueira / Sergio Moraes / Reuters Integrantes da Mangueira / Sergio Moraes / Reuters

Salgueiro – Quinta escola a desfilar na noite, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo “Gaia, a vida em nossas mãos”, sobre a criação do mundo de acordo a partir da energia dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar.

Para os comentaristas das rádios do Grupo Bandeirantes, a escola se saiu bem e está em um bom momento, mas deve perder pontos devido a um problema logo no início com sua primeira alegoria.

“O carro abre-alas está soltando muita fumaça pelo escapamento, com um cheiro muito forte. Mas, de acordo com o corpo de bombeiros, não tem anda de irregular. É apenas algum problema com o óleo usado para a combustão”, relatou William Fernandes na concentração.

No entanto, o problema se mostrou ser bem maior do que o imaginado inicialmente. “Está deixando um grande buraco de aproximadamente 50 metros. Tem um dançarino tentando dar uma segurada, vai para um lado, para o outro. O carro abre-alas literalmente parou na linha de início dos desfiles. O cheiro é muito forte de borracha queimada. A princípio, é um problema na embreagem do carro”, comentou Gabriel Rocha.

Para Bruno Filippo, a agremiação se saiu bem apesar do problema inicial. “É um bom momento para o Salgueiro, é uma escola de massa, está bem localizada. Porém, deixou a desejar em alguns momentos. “Em comparação com as alas de estética afro, as outras alegorias estão menos caprichadas na plástica”, comentou.

“As fantasias e alegorias não ficaram tão bonitas quando se falou da criação da terra pelas outras culturas. Eu acho que ficou um pouco aquém do que era esperado. A expectativa criada foi muito grande”, completou.

A comentarista Pollyana Brêtas chamou a atenção dos ouvintes para algo interessante durante a transmissão. “Eu notei aqui no Salgueiro que tem três cadeirantes misturados às alas. Achei muito legal essa integração. Outros integrantes os ajudam, empurrando as cadeiras. E estão todos completamente fantasiados”, relatou.

O Salgueiro contou sobre a criação do mundo de acordo a partir da energia dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar / Ricardo Moraes / Reuters O Salgueiro contou sobre a criação do mundo de acordo a partir da energia dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar / Ricardo Moraes / Reuters

Beija-Flor – A escola de samba Beija-Flor de Nilópolis foi a última escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí, apresentando o enredo “O astro iluminado da comunicação brasileira”, sobre o diretor de TV Bonifácio de Oliveira Sobrinho.

Para os comentaristas das rádios do Grupo Bandeirantes, o desfile da agremiação foi bastante satisfatório, com alegorias e fantasias luxuosas – como já é tradição – e deve competir entre as primeiras colocações.

De início, foi notado por eles o fato da Comissão de Frente se juntar ao primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, fazendo uma coreografia só. “É uma inovação, nunca aconteceu antes. Resta saber se os julgadores vão gostar disso”, comentou Bruno Filippo.

Chamou atenção um carro que interagiu com o público. Através de um aplicativo, baixado nas principais lojas online para smartphones, era possível mandar um beijo para a Beija-Flor. Na Avenida, foram exibidas fotos de beijos para a escola de samba.

“Agradou muito. Para mim, foi a melhor escola desse domingo. Claro que havia muita expectativa a outras escolas, mesmo com esse problema do enredo da Beija-Flor. Hoje aceita-se essas temáticas mais amplas”, analisou Bruno citando o fato da agremiação ter se proposto a contar a história do ex-diretor de TV Boni, mas ter dado espaço em seu enredo também para falar da história mundial da comunicação.

“O samba não é um samba grandioso, o que acaba não empolgando muito os componentes”, continuou. “Porém, posso adiantar que a Beija-Flor confirmou seu favoritismo e fez o melhor desfile deste domingo”, finalizou o especialista.

Ao final do desfile, uma das baianas da escola de samba acabou passando mal e desmaiou. “Houve um corre-corre para socorrer essa baiana e não atrapalhar a evolução. O carro da Era do Rádio quase também bateu na torre de televisão”, reportou Leonardo Monteiro.

Carro alegórico da Beija-Flor / Ricardo Moraes / Reuters Carro alegórico da Beija-Flor / Ricardo Moraes / Reuters

 

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