Um dos favoritos ao Oscar, "12 Anos de Escravidão" estreia

Por Caio Cuccino Teixeira
Chiwetel Ejiofor (dir.) interpreta Solomon Northup, protagonista de ‘12 Anos de Escravidão’ | Divulgação Chiwetel Ejiofor (dir.) interpreta Solomon Northup, protagonista de ‘12 Anos de Escravidão’ | Divulgação

Quando Steve McQueen estreou “12 Anos de Escravidão” nos Estados Unidos, no ano passado, surpreendeu quem havia se acostumado a ver sua mão em trabalhos mais ousados.

Oriundo das artes visuais e dono de um Prêmio Turner – o mais prestigiado da área no Reino Unido –, o britânico apostou em uma história tradicional em seu terceiro longa.

Após “Hunger” (2008) e “Shame” (2011), ele se voltou para a adaptação da história real de Solomon Northup, negro livre e culto que acaba sequestrado e vendido como escravo nos Estados Unidos de meados do século 19. O título do filme é o mesmo do livro no qual é baseado, publicado em 1854 e editado só agora no Brasil, no qual Northup relata o período em que foi submetido a trabalhos forçados.

A questão norteadora de “12 Anos de Escravidão” (um homem contra a injustiça e em busca de liberdade) é uma das favoritas da Academia que concede o Oscar. Talvez seja essa a justificativa para suas nove indicações ao prêmio após a conquista do Globo de Ouro de melhor drama e de uma série de outras premiações. Mas há algo no filme que vai além. Esta não é uma produção convencional de Oscar.

Captura de Tela 2014-02-20 às 20.04.48McQueen não está interessado em tornar mais palatável uma situação completamente absurda que, de fato, aconteceu. Por isso, pesa a mão deliberadamente nas cenas de intransigência e tortura contra escravos.

Em um dos momentos mais dramáticos – pare de ler se não quiser saber o que acontece –, o público vê Solomon (Chiwetel Ejiofor) ser enforcado por minutos enquanto crianças e outros escravos passam por ele sem esboçar reação. Ninguém faz nada. Solomon torna-se invisível.

Com isso, McQueen faz um discurso muito mais incisivo sobre o presente do que sobre o passado. Afinal, quantos não passam por essa mesma invisibilidade ainda hoje?

livro 12 anos de escravidaoEm várias ocasiões de divulgação do longa, o diretor reiterou se surpreender pelo fato de a escravidão ser menos abordada no cinema do que o Holocausto. Mas não surpreende que tenha sido um britânico negro a fazer Hollywood abrir os olhos para a questão.

Oscar 2014 – Indicado a melhor

• Filme
• Edição
• Direção (Steve McQueen)
• Ator (Chiwetel Ejiofor)
• Ator coadjuvante (Michael Fassbender)
• Atriz coadjuvante (Lupita Nyong’o)
• Design de Produção
• Roteiro adaptado
• Figurino

Lupita Nyong’o

Lupita Nyong’o | Divulgação Lupita Nyong’o | Divulgação

A atriz queniana que estreou em filmes com “12 Anos de Escravidão” tem tudo para levar o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel de escrava abusada pelo tirânico mestre vivido por Michael Fassbender.

Como você fez para vivenciar um material tão intenso e visceral?
Tudo tinha a ver com estar presente. E Patsey [a personagem] está presente porque tem um mestre volátil. Ela nunca sabe o que ele fará, o que vai pedir dela ou exigir. Eu apenas precisava estar lá. A humilhação e a dor daquela experiência se revelaria por si mesma.

Por que esse olhar honesto para um episódio tão horrível da história dos Estados Unidos teve que ser feito por tantos não-americanos?
Os Estados Unidos estão cheios de imigrantes. Os africanos escravizados que vieram da África, os brancos donos de escravos que vieram da Alemanha e do Reino Unido… Não acho que realçar o fato de não sermos americanos faz qualquer favor ou injustiça à história. Como atriz, sinto que é meu trabalho retratar coisas externas a mim e acreditar em circunstâncias que não são as minhas.

Assista o trailer:

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