‘Jesus não tem proprietário’, diz Duvivier, do Porta dos Fundos

Por fabiosaraiva
O ator e roteirista Gregorio Duvivier, do grupo humorístico Porta dos Fundos | Luciana Whitaker/Folhapress O ator e roteirista Gregorio Duvivier, do grupo humorístico Porta dos Fundos | Luciana Whitaker/Folhapress

Um grupo de humor incomoda muita gente. Mas uma turma de humor que faz sucesso, com vídeos virais na internet, incomoda muito mais. O Porta dos Fundos enfrenta uma polêmica com grupos religiosos e o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) desde que lançou um vídeo em que satiriza passagens bíblicas, como o nascimento de Jesus Cristo e sua crucificação. Um dos protagonistas é o ator Gregorio Duvivier, que faz nesta quarta-feira apresentação única e gratuita de  “Uma Noite na Lua”, seu primeiro monólogo, com texto do sogro João Falcão (pai de Clarice Falcão), no Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel.: 2168-1777; às 20h).

Como você encara essa polêmica com o vídeo de Natal?

A reação negativa foi de uma parte pequena dos religiosos do país. A maioria tem senso de humor. O vídeo tem mais aprovações do que reprovações. A minoria é barulhenta, xinga, processa. Mas a maioria gosta e curte. Se o nosso público começasse a não gostar, aí sim eu ficaria preocupado.

O problema principal foi com o deputado Marco Feliciano e suas acusações?

O próprio Feliciano é homofóbico, racista, se envolve em polêmica com minorias. É engraçado uma pessoa envolvida em tantas polêmicas vir reclamar do vídeo, entrando com um processo que pede uma indenização de R$ 1 milhão, se nunca citamos o nome dele. Se tiver uma batalha legal, iremos com certeza. É chato perder tempo, pois temos muitas coisas a fazer, já que, ao contrário dele, trabalhamos.

Vocês pensaram que iriam enfrentar esse tipo de problema?

Jesus é uma figura pública, não tem proprietário. Nunca pensamos que fôssemos ter problemas quanto a isso. Muitos comediantes já fizeram paródias sobre o assunto.

Pretendem continuar a tocar nesse assunto? Já têm algo em mente?

O Brasil ainda é um país muito reacionário, muito conservador, mesmo que não pareça. Ainda enfrentamos muitos tabus que já foram superados nos países de primeiro mundo. Mas isso não vai afetar nossa produção. Mas, ao mesmo tempo, não vamos tocar em certos assuntos só para provocar.


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