Teatro e cinema se misturam mais uma vez em novo filme de Renais

Por Caio Cuccino Teixeira
‘Aimer, Boire et Chanter’ disputa o Urso de Ouro no Festival de Berlim  | Divulgação ‘Aimer, Boire et Chanter’ disputa o Urso de Ouro no Festival de Berlim | Divulgação

Uma das presenças mais aguardadas do 64º Festival de Cinema de Berlim, Alain Resnais “furou”. Motivos: dores nos quadris e escoliose, conta Sabine Azéma, atriz recorrente em seus filmes e estrela de “Aimer, Boire et Chanter” (Amar, beber e cantar, em tradução livre). Se, aos 91 anos, o diretor francês já não pode se dar ao luxo de exaustivas viagens, seu cinema, no entanto, segue jovem.

No novo longa, apresentado nesta segunda-feira à imprensa, Resnais continua sua busca por “quebrar as paredes entre o cinema e o teatro”, como ele próprio escreve no material distribuído à imprensa em Berlim. O filme é a terceira adaptação que ele faz de peças do escritor inglês Alan Ayckbourn – a primeira foi “Smoking/No Smoking” (que ganhou o Urso de Prata na Berlinale de 1994) e a outra foi “Medos Privados em Lugares Públicos” (2006), longa que ficou mais de três anos em cartaz em São Paulo.

Nele, o protagonista é George Riley (em inglês, o título é “Life of Riley”), a quem restam apenas seis meses de vida. A notícia de seu câncer irrompe amores, desejos, ciúmes e obsessões em seu grupo de amigos próximos. A artificialidade dos diálogos e o antinaturalismo dos ambientes maximizam tanto a ironia do diretor sobre as relações entre esses personagens como a comicidade de suas escolhas e desfechos.

Resnais confina seus personagens em um ambiente tão teatralmente artificial que nem parece estranho o fato de que George, apesar de ter um caso com todas as mulheres da trama, jamais apareça em cena.

Esgarçar os limites da narrativa cinematográfica, aliás, sempre foi uma das marcas de seu cinema – basta lembrar dos campos vazios de “Noite e Sombra” (1955), a tensão entre memória e presença em “Hiroshima Meu Amor” (1959) e a ambiguidade ficcional de “O Ano Passado em Marienbad” (1961).

Assista ao trailer:

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