Reedição de Fradim celebra cartunista Henfil

Por Tercio Braga
Henfil completaria 70 anos nesta quarta | Avani Stein/Folhapress/ 1984 Henfil completaria 70 anos nesta quarta | Avani Stein/Folhapress/ 1984

“A obra do meu pai venceu várias barreiras de preconceito. E não tenho medo de dizer que o seu trabalho e sua obra influenciaram os rumos que o país tomou. Se ele não existisse, as coisas teriam acontecido de uma maneira diferente”.

É assim que Ivan Consenza de Souza, filho de Henrique de Souza Filho, o Henfil, define a obra do cartunista, famoso por criar personagens como a Graúna e os fradins Cumprido e Baixim, além de possuir um forte engajamento político, sempre lutando pelos diretos dos trabalhadores e os direitos humanos.

“O importante é manter sua obra viva na memória do país. Ele não foi apenas um cartunista, ele foi humorista político, fez televisão, teatro, filme. Além disso, fez quadrinhos, charges e animações”, conta Ivan.

fradim-620Nascido em Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, em 1944, Henfil foi um ferrenho adversário da ditadura militar. “Se estava errado, ele estava criticando. Ele era conhecido como ‘metralhadora giratória’, pois criticava todos, inclusive com maior foco na esquerda e nos artistas que se omitiam na época da ditadura”, recorda Ivan.

Criador do bordão “Diretas Já!”, Henfil ganhou o Troféu Especial de Imprensa ONU, em 2008, após ser votado como um dos cinco jornalistas que mais se destacaram na luta pelos direitos humanos nas últimas três décadas antes da premiação.

“Foi o prêmio que mais me emocionou em receber por ele, pois a eleição foi feita pelos vencedores do prêmio Vladimir Herzog. Eu até brinco que essa vitória foi um pouco minha, pois mantive a obra dele em evidência, sem deixá-la guardada ou esquecida”, comemora.

Em celebração à efeméride, novos números da Coleção Fradim também serão lançados com o selo comemorativo “25 Anos sem Henfil – Morro, mas Meu Desenho Fica”.

Ziraldo – ‘Ele nunca admitiu que contestassem seu nome’

Quando conheci o Henfil, ele se chamava Henriquinho. (…) Na época, era moda que cartunistas tivessem um nome só. E nasceu o Henfil, nome que eu achei horrível, parecia nome de peça para reposição. Henfil, porém, achou ótimo e nunca admitiu contestação.

(…) Estava fundando o Cartum JS, um suplemento semanal no Jornal dos Sports e lancei o Henfil, chargista político, nas minhas páginas dominicais. Com seu desenho caligráfico, ágil e altamente expressivo, foi o grande sucesso do suplemento.

(…) Durou pouco. Não seu sucesso, mas o suplemento. Um dia, Nelson Rodrigues resolveu dar uma olhada no Cartum e ficou estarrecido: “Esses garotos querem botar fogo no país e derrubar o governo.” Era a Ditadura. Nelson mandou fechar.

(…) Logo depois, inventaram o Pasquim e levaram o Henfil para lá. Ali, ele lançou nacionalmente seus fradinhos famosos, criando uma das maiores figuras da história da caricatura brasileira, o Fradinho Baixinho, seu alter-ego, um personagem inesquecível. Que eu diria imbatível se, algum tempo depois, o mesmo Henfil não tivesse criado a Graúna. 


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