Morte de ator Philip Seymour Hoffman chama atenção para heroína

Por Caio Cuccino Teixeira
Fãs improvisam memorial em frente ao prédio de Hoffman | C. Allegri/Reuters Fãs improvisam memorial em frente ao prédio de Hoffman | C. Allegri/Reuters

A morte do ator Philip Seymour Hoffman por suposta overdose de heroína ocorre ao mesmo tempo em que cresce o tráfico pela fronteira com o México e aumentam os casos de abuso nos EUA, segundo autoridades federais norte-americanas.

O uso de heroína atingiu proporções epidêmicas nos Estados Unidos nos últimos cinco anos, acompanhando uma disparada no abuso de analgésicos opiáceos, como a oxicodona, segundo funcionários da DEA, agência antidrogas dos EUA.

Muitas pessoas que começam abusando da oxicodona acabam na heroína, pois desenvolvem tolerância aos comprimidos e descobrem que é mais barato comprar heroína de traficantes do que medicamentos controlados no mercado negro, segundo as autoridades.

“O oxi é muito mais caro de obter do que a heroína”, disse Sarah Pullen, agente especial do DEA em Los Angeles. “O abuso de medicamentos controlados realmente se estabeleceu há cerca de dez anos, e há cerca de cinco começamos a ver o abuso de heroína crescer.”

Apreensões

A quantidade de heroína apreendida anualmente na fronteira dos EUA quase quadruplicou entre 2008 e 2012, passando de 558,8 para 2.091 quilos por ano. De acordo com a DEA, 95% da heroína que entra nos EUA vem da América Latina, especialmente do México.

Enquanto isso, as overdoses fatais por heroína cresceram 45% de 2006 a 2010, com 3.038 casos relatados naquele ano. Acredita-se que os números continuem crescendo, segundo a agência.

Dependência – Nova York é centro de distribuição

Erin Mulvey, agente do DEA em Nova York, disse que 17% de toda a heroína apreendida nos últimos anos tem sido confiscada em Nova York, um sinal de que a cidade é um centro de distribuição da droga nos EUA.

Um professor da Universidade Washington, disse que a porcentagem de toxicodependentes que procuram tratamento por abuso de heroína em 150 centros de tratamento de drogas em todo o país aumentou de cerca de 10% em 2011-2012 para entre 20 e 25% em relação ao ano passado.

Droga pode ter aditivos fatais

Pacote com heroína apreendido pela  agência DEA| DEA/Reuters Pacote com heroína apreendido pela
agência DEA| DEA/Reuters

As autoridades do nordeste dos EUA dizem ter observado um surto de overdoses fatais nos últimos meses, atribuídos a um lote de heroína “batizada” com fentanil, um opióide que é 50 a 100 vezes mais potente que a morfina, e 30 a 50 vezes mais poderoso que a heroína.

Fontes policiais disseram à Reuters que os investigadores estão tentando determinar se a heroína suspeita de matar Hoffman, de 46 anos, continha fentanil.

O ator, que tinha um histórico de envolvimento com drogas, foi encontrado morto no domingo no banheiro do seu apartamento, em Manhattan, com uma seringa espetada no braço. Fontes policiais disseram que as autoridades encontraram na casa 50 papelotes de uma substância que parece ser heroína. Os resultados da autópsia, feita na segunda, não foram divulgados.

O médico Marvin Seppala, do centro de tratamento Hazelden, disse que a heroína e outros opiáceos causam overdose e morte porque atuam sobre partes do cérebro que controlam a respiração.

Mortes

As possíveis razões para o aumento no número de mortes por heroína nos EUA incluem:
• Aumento geral nos abusos de drogas.
• Disponibilidade cada vez maior de heroína de alta pureza nas ruas das grandes cidades.
• Maior número de pessoas começam a usar o narcótico em idades precoces.


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