Terror "Quando Eu Era Vivo" estreia nesta sexta

Por Caio Cuccino Teixeira
Sandy Leah e Marat Descartes contracenam em ‘Quando Eu Era Vivo’, rodado quase integralmente em um apartamento na av. São Luís, em São Paulo | flora dias/Divulgação Sandy Leah e Marat Descartes contracenam em ‘Quando Eu Era Vivo’, rodado quase integralmente em um apartamento na av. São Luís, em São Paulo | flora dias/Divulgação

Lourenço Mutarelli parece ser mesmo o autor-fetiche do cinema nacional atual. Após ver seus livros “O Cheiro do Ralo” e “O Natimorto” levados à telona em 2007 e 2011, respectivamente, agora é a vez de “A Arte de Produzir Efeito sem Causa” se transformar em filme sob a alcunha “Quando Eu Era Vivo”.

Nas mãos do diretor Marco Dutra e da roteirista Gabriela Almeida, a produção ganhou ares de thriller psicológico. “É um desperdício não usar o horror para abordar a sociedade, principalmente quando está mais estável. Acho que estamos nessa fase no país. Onde estão os medos dessa sociedade?”, questiona Almeida.

No filme, é o medo da aproximação entre pai e filho que se torna alegoria. Recém-separado e desempregado, Júnior (Marat Descartes) volta para o apartamento do pai (Antonio Fagundes), onde a jovem Bruna (Sandy) aluga o quarto que antes fora dele.

Abatido e sem ter o que fazer, ele começa a fuçar o passado e, a contragosto do pai, revira as caixas com os pertences da mãe já morta. Com isso, acaba embarcando numa espiral de loucura tal como o personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick, e traga todos a sua volta.

O suspense é conduzido pela música, área em que o diretor tem formação. Não é à toa, portanto, que esse tenha se transformado no campo de estudo da personagem de Sandy (no livro, uma estudante de artes plásticas) e também que ela tenha sido escalada para o papel.

“Buscávamos cantoras-atrizes. Mandamos o roteiro achando que ela nunca iria fazer, mas ela gosta de filmes de terror e topou antes mesmo de combinarmos data ou dinheiro”, diz Dutra, que já explorara o terror em curtas e no longa “Trabalhar Cansa”, codirigido com Juliana Rojas.

É o mistério em torno de uma composição deixada pela mãe de Júnior que cria o vínculo entre os dois personagens. “Quis criar algo entre a canção de ninar e o rito”, diz.

Para Fagundes, fã do livro, o que há de mais terrível na obra é a situação de incomunicabilidade da família retratada. “A gente usa o horror como metáfora das coisas de nossa vida que nos dão medo e que não tem explicação”, afirma o ator.

Apesar do calibre pop do elenco, “Quando Eu Era Vivo” é enquadrado como um filme de baixo orçamento, tendo custado R$ 1,5 milhão.

Confira o trailer:

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