Com traços simples, animação de Alê Abreu estreia nos cinemas

Por Caio Cuccino Teixeira
‘O Menino e o Mundo’ tem traços simples, como desenhos de criança | Divulgação ‘O Menino e o Mundo’ tem traços simples, como desenhos de criança | Divulgação

Os traços abstratos de pintores como Juan Miró, Paul Klee e Alfredo Volpi, o jeito de fazer cinema de Andrei Tarkóvski, a música do grupo irlandês Sigur Rós. Essas são algumas das referências que o cineasta Alê Abreu reuniu para montar “O Menino e o Mundo”, animação que chega hoje aos cinemas do país.

A história mostra um menino que vive feliz em uma aldeia, mas passa a sofrer com a saudade do pai, que precisa sair do campo e para ir trabalhar na cidade grande. O garoto decide então sair em busca dele apenas com uma maleta e uma foto da família, mas acaba descobrindo um mundo fantástico e às vezes assustador, cheio de máquinas opressoras e seres cada vez mais esgotados.

Em um meio saturado por superproduções em 3D, “O Menino e o Mundo” é um respiro ao valorizar a arte do desenho em seu modo mais puro e simples. “O próprio filme foi conduzindo sua estética e forma. Ele foi pedindo misturas, a liberdade, o desejo de ser completamente livre. É o olhar do menino que pontuou o processo de produção”, enfatiza Alê. Essa liberdade na produção pode ser vista também no misto de técnicas de desenho, como lápis de cor, giz de cera, aquarela, guache, caneta esferográfica e colagem, além de garatujas feitas por crianças.

Assim como seu primeiro longa, “Garoto Cósmico” (2008), a nova empreitada passou por um longo tempo de produção. Foram cerca de cinco anos desde a concepção até a primeira exibição. “Só o animatic [storyboard] levou um ano e meio, mas o que tomou mais tempo foi a descoberta da história”, conta o diretor, que paralelamente fazia suas experimentações. “O filme surgiu na ilha de edição. Assim, a força da imagem se impôs e fomos cada vez mais para o universo do abstrato.”

“O Menino e o Mundo” já foi exibido em alguns festivais com êxito, tendo recebido o prêmio de longa-metragem do Festival Internacional de Animação de Ottawa e melhor filme brasileiro segundo o Prêmio da Juventude da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Assista ao trailer:

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