‘Conselho de Classe’ estreia no Sesc Belenzinho e discute educação no país

Por fabiosaraiva
Atores homens vivem professoras em discussão na peça ‘Conselho de Classe’ | Dalton Valério/ Divulgação Atores homens vivem professoras em discussão na peça ‘Conselho de Classe’ | Dalton Valério/ Divulgação

Um grupo de professoras se encontra para uma reunião anual. Desestabilizadas pela chegada de um novo diretor e um calor que beira os 50º C, elas colocam na mesa dilemas éticos e pessoais, além de questões que envolvem seus delicados dias de trabalho em uma escola pública do centro do Rio.

Mais do que isso, elas desabafam sobre temas que mostram o degradante cenário atual da educação pública no Brasil. Esse é o tema de “Conselho de Classe”, da carioca Cia. dos Atores, que estreia nesta quinta-feira no Sesc Belenzinho.

Dirigida por Bel Garcia e Susana Ribeiro, a peça se preocupa em colocar em cena a atualidade do texto, escrito por Jô Bilac, sem panfletagem política. “O Jô não tinha o roteiro todo pronto, então, foi trabalhando os personagens a partir dos arquétipos dos professores”, explica Bel.

A diretora conta que o tema de “Conselho de Classe” vinha sendo trabalhado  há dois anos. Logo, as manifestações de professores de escolas públicas que sensibilizaram o Rio de Janeiro em 2013 foram uma feliz coincidência. “Apesar de ser uma comédia, ou comédia política, como chamamos, as pessoas ficam muito emocionadas, choram… As manifestações deixaram todos meio que à flor da pele e o espetáculo mostra isso”, conta a diretora.

Mesmo com todas as personagens sendo do sexo feminino, o elenco é inteiramente composto por homens. “Foi ideia minha”, conta Bel. “Eu cismei com isso. Acho que a questão da educação está acima do gênero sexual. No texto, o pensamento é de mulher, mas tudo na peça é de homem, sem afetação.”

 

25 anos de palco

A estreia de “Conselho de Classe” também celebra os 25 anos da Cia. dos Atores, grupo formado no Rio, mas que conquistou a capital paulista logo no início de seus trabalhos. “Foi  quando estreamos ‘A Morta’, em 1992, no Centro Cultural São Paulo”, conta Bel. “Não tivemos uma boa recepção no Rio, mas em São Paulo a repercussão foi grande. Foi incrível”, complementa.

Outro ponto da trajetória destacada por ela foi “Ensaio.Hamlet”, de 2004. “Trabalhávamos em um processo colaborativo, todos os atores tinham uma importância muito grande na criação. Há cenas que eu desenvolvi e foi por meio delas que vi que poderia ser diretora.”

 

Serviço: No Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1.000, tel.: 2076-9700). Estreia  nesta quinta-feira. De qui. a sáb., às 21h30; dom., às 18h30. R$ 25. Até 16/2.

 

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