Dirigido por Stephen Frears, "A Grande Luta de Muhammad Ali’ estreia na HBO

Por Carolina Santos

Ao longo de sua carreira, Muhammad Ali, 71, conquistou três vezes o título de campeão mundial de pesos-pesados do boxe e derrotou vários competidores, entre os quais Joe Frazier e George Foreman.

Frank Langella (esq.) e Christopher Plummer vivem magistrados que decidem futuro do boxeador  | Divulgação Frank Langella (esq.) e Christopher Plummer vivem magistrados que decidem futuro do boxeador | Divulgação

Em todas essas décadas, no entanto, o oponente mais difícil enfrentado por ele foi o próprio país onde nasceu: os Estados Unidos.

Em 1967 – três anos após se tornar campeão pela primeira vez –, o lutador se recusou a se alistar à Guerra do Vietnã. O motivo, segundo ele, era puramente religioso.

Anos antes, Ali havia se convertido à Nação do Islã, grupo religioso de americanos negros que seguia os preceitos do Alcorão. Foi o movimento que o fez abandonar o nome de Cassius Clay por um mais “muçulmano”.

Insensíveis aos apelos do lutador, os Estados Unidos revogaram seu título e o condenaram à prisão. No auge da forma, Ali ficou quatro anos sem subir aos ringues para defender suas convicções.

Tal drama é retratado em “A Grande Luta de Muhammad Ali”, telefilme de Stephen Frears (“A Rainha”) que estreou na madrugada de hoje, na HBO, e tem reprise no sábado, às 22h.

A produção é um clássico filme de tribunal sobre os bastidores de como a Suprema Corte americana absoveu o lutador, em 1971, numa votação tida como surpreendente dado o conservadorismo dos magistrados, a maioria com idade acima de 70 anos.

No centro do debate estão o juiz Marshall Harlan (Christopher Plummer) e seu assistente, Kevin Connolly (Benjamin Walker), que apelam a argumentos puramente jurídicos para enfrentar o líder da Corte, Warren Burguer (Frank Langella), temeroso dos efeitos políticos do veredito.

De fato, a decisão foi um revés para o governo Nixon numa época em que a Guerra do Vietnã era fortemente contestada em todo o país.

Frears evitou colocar um ator como Ali e usa apenas entrevistas reais do lutador feitas à época, intercaladas entre os debates jurídicos, conferindo com propriedade o peso dessa questão dentro daquele contexto histórico.

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