Após dirigir ‘Apenas o Fim’ , cineasta estreia longa com Clarice Falcão

Por Carolina Santos
‘Todo segundo filme  nasce para sofrer’, diz Matheus Souza | Divulgação ‘Todo segundo filme
nasce para sofrer’, diz Matheus Souza | Divulgação

Ele tem 25 anos, óculos remendado com esparadrapo e muitas ideias sobre como abordar a juventude no cinema. Após dirigir o fenômeno indie ‘Apenas o Fim’ (2009), o cineasta estreia nesta sexta-feira longa em que Clarice Falcão vive uma jovem que ‘testa’ profissões antes de escolher a sua

Você acha que conquistou um público próprio com “Apenas o Fim”?

Deve ser umas 15 pessoas… (risos) “Apenas o Fim” foi lançado há muito tempo, fez 25 mil espectadores, mas, ao mesmo tempo, conseguiu um alcance muito bacana. Até hoje recebo e-mails de fãs do filme contanto histórias de amor deles. São milhares. Essa é a parte mais incrível. Sei que tem uma grande galera para quem esse filme foi importante, e isso é o que me faz fazer cinema e achar que tudo valeu a pena.


Como foi a evolução para “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”? 

“Apenas o Fim” foi a primeira coisa que filmei na vida. Curiosamente, naquela época, eu realmente não fazia ideia do que eu tava fazendo. Foi um filme cheio de defeitos e coisas que poderiam ter sido resolvidas de outra forma. Por outro lado, acho que essas falhas fazem parte dele e são o que o tornam tão espontâneo e sincero. Com esse de agora, eu já tinha noção de como as coisas funcionavam. É realmente meu primeiro filme descobrindo a técnica e tentando manter um estilo. Mas todo segundo filme nasce para sofrer, não é?


Você escreve seus filmes. Qual sua escola de roteiro?

Sempre gostei muito de ler e, quando tinha uns 12, 13 anos, comecei a escrever muito sobre minha vida, principalmente para uma garota de quem eu queria chamar a atenção apesar de ser baixinho, ter espinha e ser todo torto. Pensei que assim ela ia me achar bacana. Aí comecei a espalhar as coisas que escrevia para o pessoal do colégio e a partir de então passei a amar escrever. Minha vida é isso. O que mais gosto de fazer é ler e assistir a filmes e séries. Quando paro para escrever, tenho todo aquele acervo do que eu vi. Então eu sei caminhos diferentes de fazer. Fora isso, sempre fui apaixonado por diálogos, por causa do Woody Allen. Também escuto mais do que falo e gosto de escrever como elas falam. Sou realmente muito dedicado.


O filme demorou um ano e meio para ser lançado. Você acha que o estouro da Clarice Falcão como cantora pode fazer bem à bilheteria?

A gente vai saber com a estreia, porque é um filme pequeno e meio suicida. Ele fica no meio do caminho: não é cabeça o suficiente para ser sucesso de crítica, ao mesmo tempo é fofo, uma comediazinha para rir, mas não para gargalhar. É muito estranho [lançar só agora] porque nós somos pessoas completamente diferentes agora. Estou escrevendo coisas hoje que são bem diferentes. Sabe quando sua mãe recebe visita em casa e quer mostrar uma foto de você criança andando de cueca pela casa? (risos) Acho que esse é um pouco o sentimento que estou tendo.


Em algum momento você foi chamado para fazer “Malhação”?

Fui chamado como ator, acredita? Mas na época eu estava me levando à sério demais. (risos) Eu adoraria assumir “Malhação”. Acho que uma das coisas mais importantes que se tem que fazer é bom conteúdo de entretenimento para o jovem, porque é exatamente a faixa etária que mais consome esse tipo de coisa. Só que ele está consumindo coisas geradas sem o menor cuidado e só para vencer. Acho extremamente importante ver a Clarice fazendo um sucesso estrondoso com garotinhas de 12 anos que podiam estar ouvindo Justin Bieber e preferem o trabalho dela com letras inteligentes, que introduzem sarcasmo e ironia. Tem que pensar que uma coisa puxa outra. Um dia desses uma garotinha chegou para mim, pediu para tirar uma foto comigo e disse que assistiu a toda a filmografia do Woody Allen por minha causa. Juro, foi um dos momentos mais lindos da minha vida. Acho que “Malhação” é irresponsável. Não estou dizendo para ser cabeça nem moralista, mas para ser legal e não subestimar a inteligência do jovem.


Qual é o próximo projeto?

Fiquei quatro anos sem lançar filme, mas estou meio que lançando dois ao mesmo tempo. Tenho “Confissões de Adolescente”, dirigido pelo Daniel Filho, que escrevi o roteiro [estreia em janeiro]. Foi legal, uma outra experiência, porque meu processo é sempre tão independente, sozinho, com meus amigos… Quero fechar minha trilogia de filmes independentes antes de vender minha alma. Minha ideia com essa trilogia feita sem dinheiro e com amigos era ter um reflexo dos filmes de que eu gostava quando eu era adolescente. Você assiste “Apenas o Fim” e, claramente, ele tem muito de “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr do Sol” e Kevin Smith. O da Clarice se parece menos com isso, mas lembra todos os filmes de protagonista feminina que me marcaram, como “Amélie Poulain”, “Encontros e Desencontros”. Nesse terceiro, estou pensando em homenagear comédias como “Superbad”, “Penetras Bons de Bico” e “O Virgem de 40 Anos”. Quero aproveitar que é independente para fazer algo engraçado e transgressor. Vai ser um “bromance”. O nome é “Tamo Junto” e começo a filmar já em janeiro (por causa da Copa).

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