Odair José detona o termo ‘brega’ e pede respeito por sua obra

Por Carolina Santos
‘Não sou perfeito, mas não sou tão ruim’, afirma Odair José | Renato Ribeiro/ Divulgação ‘Não sou perfeito, mas não sou tão ruim’, afirma Odair José | Renato Ribeiro/ Divulgação

Quatro discos fundamentais da discografia de Odair José foram resgatados do limbo e, enfim, chegam em CD na caixa “Quatro Tons”, que será lançada hoje e amanhã em shows no Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel.: 3871-7700; às 21h; R$ 20). Em entrevista ao Metro Jornal, ele comenta os álbuns e fala da luta pelo reconhecimento de sua obra.


O que você pode destacar nesses quatro discos que os tornam uma unidade?

Sem querer ser prepotente, mas ele não é importante só para mim, mas para que todos conheçam melhor o que fiz na década de 1970. E esse meu trabalho foi único, bem pensado com relação às letras, que tocam em temas simples de maneira objetiva. Os discos são bem gravados, com os melhores músicos [a banda Azymuth, Hyldon e Luiz Cláudio Ramos, maestro de Chico Buarque].

 

O escritor Paulo César de Araújo o compara com o cronista que Noel Rosa foi.

Eu acho legal, mas antes dessa declaração eu já dizia que era como um repórter musical. Por que não pode comparar Odair José a Bob Dylan e Paul McCartney? Pode sim.

Você fala sobre a decepção de não ter o reconhecimento correto sobre sua música e não gosta de que te chamem de ‘brega’…

Isso surgiu na década de 1990 e esse estilo [o brega] nem existe. A expressão me dá a impressão de mal feito, do cara mal vestido, da casa mal decorada… E minha música não é isso. Tudo o que faço é bem feito, com dedicação.

 

Você se arrepende de algo?

Eu usava aquela frase clichê, de que “não me arrependo de nada”, mas hoje em dia, eu digo: me arrependo de muita coisa. Uma das principais foi a de deixar que outras pessoas pensassem no disco para mim. Após “Coisas Simples” (1978), a gravadora passou a dizer que eu era maluco. Não queriam me deixar pensar. O disco não foi um erro, mas não foi aceito na época, e isso me decepcionou um pouco, então deixei que eles cuidassem de tudo.

 

O que é Odair José? 

Um tocador de guitarra. Um cara que toca e canta sua música de uma forma simples e séria. O negócio é que não sou perfeito, mas não sou tão ruim assim. (risos)

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