Obras roubadas na Segunda Guerra são tema de livro e filme

Por Carolina Santos
Roubo de quadros por nazistas durante a Segunda Guerra é tema de próximo filme de George Clooney | Divulgação Roubo de quadros por nazistas durante a
Segunda Guerra é tema de próximo filme de George Clooney | Divulgação

Picasso, Léger, Michelangelo, Vermeer, Matisse, Dix, Chagall, Nolde, Courbet e Toulouse-Lautrec. Obras desses artistas integram uma lista com milhares de peças roubadas por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial encontradas no mês passado em Munique, na Alemanha.

A descoberta surge no período em que chega ao Brasil “O Museu Desaparecido – A Conspiração Nazista para Roubar as Obras-Primas da Arte Mundial”, de Héctor Feliciano. Lançado com 18 anos de atraso, o livro do autor porto-riquenho conta como a máquina nazista confiscou mais de 100 mil pinturas de colecionadores judeus apenas na França – a estimativa é que os alemães tenham se apossado de mais de 5 milhões de objetos de arte em todo o mundo.

Segundo Feliciano, os saques cresceram sob desmandos do número dois do Reich, o marechal Hermann Goering, que, segundo líderes no exército alemão, teria afundado os planos de ocupação nazista com sua caça a obras.

Feliciano mostra ainda como é feita a pesquisa para encontrar e catalogar quadros perdidos, em um movimento que impulsionou o processo de restituição de obras. O site alemão lostart.de é um dos que está nessa cruzada. Segundo o escritor, pelo menos 20 mil peças ainda não foram devolvidas.

 

Roubo na tela

Nos anos 1940, um grupo dos Aliados da Segunda Guerra, chamado de The Monuments Men, pesquisava, buscava e devolvia obras roubadas pelos nazistas. A história rendeu um livro, “Caçadores de Obras-Primas”, de Robert M. Edsel (Rocco, 368 págs., R$ 57), que serviu de base para o longa homônimo dirigido e protagonizado por George Clooney, que será lançado no próximo Festival de Berlim. No filme, que estreia em 14 de fevereiro, especialistas de 13 países se reúnem para reencontrar obras a partir dos rastros alemães entre 1943 a 1951. No elenco estão Cate Blanchett, Bill Murray, Daniel Craig e Matt Damon, entre outros.

 

As obras de Munique

A coleção revelada em novembro, em Munique, continha 1.285 quadros não emoldurados e 121 emoldurados, sendo o mais antigo datado do século 16. De acordo com a revista “Focus”, havia muita sujeira e pó, mas todas as obras estavam em perfeito estado. A descoberta aconteceu ainda em 2012, mas devido a sua delicadeza e valor, só agora foi revelada. O material se encontrava no apartamento de um idoso, filho de um colecionador das décadas de 1930 e 1940, que comprou as obras dos nazistas a preço de banana, já que ladrões consideravam as peças, na maioria modernas e concretistas, como “arte degenerada” – no fundo, qualquer coisa que não agradasse o gosto do então líder alemão Adolf Hitler (1889-1945), ele próprio um artista frustrado.

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