Arcade Fire lança disco com sonoridade espelhada nos anos 1980

Por Carolina Santos
Bonecos dos músicos do Arcade Fire em cena do clipe de “Reflektor” | Divulgação Bonecos dos músicos do Arcade Fire em cena do clipe de “Reflektor” | Divulgação

O Arcade Fire surgiu com “Funeral” (2004), no qual buscava um caminho meio sombrio, rodeado de questões existenciais. Em “Neon Bible” (2007), foi a vez de o grupo colocar os dogmas religiosos em evidência. Já “The Suburbs” (2010) tematizou a desilusão da juventude na periferia dos grandes centros. Então, do que  trata “Reflektor”, novo álbum da banda que chega nesta quarta-feira às lojas de todo o mundo?

As 13 composições foram divididas em dois volumes que, juntos, resultam em mais de 85 minutos de música. A abertura do disco fica por conta da faixa-título “Reflektor”, que, em mais de sete minutos, coloca os tempos modernos em pauta (“Nós ainda estamos conectados / Mas somos mesmo amigos”).

Desde o primeiro minuto nota-se uma sonoridade totalmente voltada para criações da década de 1980, mais dançantes e sintetizadas. A diferença é que, ao contrário de muitas outras bandas que têm usado essa referência em seus trabalhos, o Arcade Fire o faz com certo charme e olhar contemporâneo. É provável que o produtor James Murphy – mentor do LCD Soundsystem – tenha boa parte de culpa nisso.

Outra faixa que se destaca é a terceira, “Flashbulb Eyes”, com balanço e referências de músicas caribenhas resultantes, talvez, da memorável passagem do Arcade Fire pelo Haiti em sua última turnê.

O segundo volume de “Reflektor” começa com questionamentos sobre o amor e a vida em “Here Comes the Night Time 2”, ganhando contornos épicos na sequência “Awful Sound (oh Eurydice)” e “It’s Never Over (oh Orpheus)”, referência ao mito grego de Orfeu e Eurídice, que surge na capa na escultura de Auguste Rodin e também nas imagens do filme “Orfeu Negro” (1959), de Cacá Diegues, que aparecem no vídeo publicado no YouTube com a íntegra do disco e suas letras.

Se ainda havia dúvidas sobre o potencial da banda, o esquisito e belo “Reflektor” acaba com elas. Goste ou não do grupo, é sensível como ele chega a seu quarto álbum com firmeza sobre o caminho que pretende trilhar. Longa vida ao Arcade Fire.

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