Representantes da dança belga trazem seus espetáculos ao Brasil

Por Carolina Santos
Cena de ‘Puz/zle’, de Sidi Larbi Charkaoui, dançada pela Cia. Eastman  | Divulgação Cena de ‘Puz/zle’, de Sidi Larbi Charkaoui, dançada pela Cia. Eastman | Divulgação

Detentora de uma cena de dança contemporânea tão pungente quanto a francesa, a Bélgica reúne nesta semana, em São Paulo, dois de seus nomes mais atuantes.

Quem abre os trabalhos, nesta quarta e quinta-feira, é Anne Teresa De Keersmaeker, uma das precursoras desse movimento surgido nos anos 1980. Após apresentar algumas de suas peças mais emblemáticas há dois anos, no Sesc Pinheiros, seu grupo Rosas volta ao mesmo palco com uma de suas criações mais recentes, “Cesena” (2011).

Originalmente encenado ao ar livre em Avignon, na França, durante o amanhecer, o espetáculo reflete sobre a passagem do tempo e faz o público sair da escuridão para a luz. Essa opção cênica dialoga com a trilha, composta por música do século 14, momento de declínio da chamada Idade das Trevas, na Idade Média.

O segundo representante dessa leva é Sidi Larbi Cherkaoui. Discípulo da própria Keersmaeker e de Alain Platel, o coreógrafo é filho de pai marroquino muçulmano e de mãe belga cristã. Esse histórico mestiço já confere de cara atualidade a seu trabalho, criado em um mundo repleto de cruzamentos culturais. Isso se completa com as diversas referências de movimento de Cherkaoui, que mescla inspirações desde as danças pop de filmes dos anos 1980 à dança conceitual.

“Puz/zle” (2012), que sua Cia. Eastman apresenta no fim de semana no Teatro Alfa, põe bailarinos e músicos em interação direta com o cenário. A construção cênica remete à própria construção da identidade nos dias de hoje. Múltipla, ela se revela um verdadeiro “quebra-cabeça”, como sugere o título.

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