Camila Pitanga sobre nova peça: "saímos do nosso eixo"

Por Carolina Santos
Ao lado da Mundana Companhia, atriz passou um mês e meio no interior do Ceará para montar “O Duelo”, de Tchékov | Divulgação Ao lado da Mundana Companhia, atriz passou um mês e meio no interior do Ceará para montar “O Duelo”, de Tchékov | Divulgação

Conhecida por trabalhos na TV, Pitanga mergulhou no sertão com a Mundana Companhia para extrair inspiração para a história de dois duelantes de características opostas. Após viajar por cinco cidades, “O Duelo” estreia nesta sexta-feira no Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000, tel.: 3397-4002; de qui. a dom., às 19h30; R$ 20; até 15/12).

 

Como se deu sua aproximação com a companhia?

Assisti a “O Idiota” duas vezes e adorei. E tenho amigos em comum com o Aury [Porto, produtor e ator]. Acabei me aproximando e a proposta de pesquisa  – de experimentar, de ousar – me interessou muito. O Aury ficou tocado e, quando me trouxe “O duelo”, amei não só o texto, mas tudo o que ele propôs.


Por que entrar no projeto também como produtora?

É a minha terceira experiência como produtora teatral. Graças ao patrocínio da Caixa, garantimos a turnê até o final do ano. Já tinha o desejo de voltar ao teatro e procurava uma caminho que primasse pela pesquisa. Num banho de cachoeira no Horto (no Rio), abri meu coração para Aury, dividi meus anseios e minha paixão pelo teatro. Nossa amizade foi se fortalecendo até que ele me trouxe “O Duelo”. Fizemos uma leitura e foi um estalo lindo.


O que mais a surpreendeu na vivência que vocês tiveram no interior do Ceará?

Escolhemos cidades pequenas e sem teatro. Lá oferecemos oficinas de dança, teatro e música e, no final dos ensaios abertos, havia debates. Em Lavras da Mangabeira, um grupo de teatro nasceu a partir das oficinas oferecidas pelo ator Freddy Allan. Em Arneirós, a banda da cidade que estava desativada voltou a tocar. Isso fortaleceu a ideia de que a cultura nativa de cada cidade tem que ser valorizada. Conhecemos, escritores, músicos e artistas que nos trouxeram informações e belezas que afetaram a criação do nosso espetáculo.


Como essa experiência interferiu na dramaturgia?

A principal motivação era sairmos do nosso eixo pessoal para construirmos um só, voltado à experiência do teatro. Nossos personagens são desterrados, estrangeiros no Cáucaso. Itinerantes por cidades pequenas, seríamos nós os estrangeiros. Essa experiência é um repertório de imagens e sensações que levo comigo para sempre. Ele me estimula muito como atriz, mas é uma riqueza que me engrandece como ser humano e me aproxima mais de uma realidade sem o filtro do jornal, de uma terceira pessoa, numa vivência direta.

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