Diretor independente conta como foi filmar ‘Frances Ha’ com baixo orçamento

Por fabiosaraiva
Andrew H. Walker/Getty Image O diretor Noah Baumbach, de “Frances Ha” | Andrew H. Walker/Getty Images

Um dos filmes alternativos norte-americanos mais cultuados dos últimos anos, “Frances Ha” é moderno e divertido. O roteiro, assinado pelo diretor Noah Baumbach (“A Lula e a Baleia”) e Greta Gerwig (“Para Roma com Amor”), sua namorada e protagonista, conta a história da bailarina Frances, uma jovem de 20 e poucos anos, dependente emocional das amigas, sem moradia fixa, perdida na profissão e no amor e que deseja amadurecer, mas não sabe como. Impossível não se lembrar da “Manhattan”, de Woody Allen, seja na fotografia (preto e branco), na ode a Nova York ou na interação entre o cenário e universo da personagem. O filme foi parcialmente financiado pelo produtor brasileiro Rodrigo Teixeira (“O Cheiro do Ralo” e “Heleno”).

Você pode falar sobre a escolha de filmar em preto e branco? Por que fazer isso hoje em dia é ousado?

Eu acredito que as produções cinematográficas não precisam seguir um padrão, com efeitos especiais e outras coisas. Sempre tive vontade de filmar em preto e branco e percebi que quando é feito dessa forma, em filmes contemporâneos, existe um sentimento de nostalgia. É como o encontro entre algo velho e algo novo. Ao contrário de “O Artista” (Michel Hazanavicius), tanto a história como os personagens são contemporâneos.

 

Então o orçamento não foi grande?

Não (risos). Apesar de para torná-lo preto e branco, da forma como queríamos, fizemos uma série de testes, o que levou um tempo, pois filmamos em digital. Eu acho que encontramos um caminho, quase algo novo.

 

O que você tem acompanhado sobre a campanha (de financiamento coletivo para produção do seu filme) de Zach Braff no Kickstarter (plataforma on-line para arrecadar recursos dos doadores)? Parece que ele já levantou algum dinheiro. O que você acha disso?

Eu não sei muito bem sobre isso. Eu acho que a tecnologia está num ponto onde qualquer um pode fazer um filme. Há menos desculpas agora, mas você tem que ser talentoso, saber o que está fazendo e ainda levantar dinheiro. É difícil. A tecnologia favorece tanto a produção de um filme como pode ajudar a arrecadar dinheiro para seu desenvolvimento.

É algo que você consideraria para um projeto futuro?

Eu não sei, talvez. Eu não faço parte de nenhuma rede social. Quer dizer, eu tenho e-mail (risos). Eu não sei como fazer, mas com certeza parece uma coisa legal. Eu conheço e respeito pessoas que fizeram coisas no Kickstarter. Quantos investidores são preciso para ganhar esse dinheiro?

 

A campanha de Zach Braff tem cerca de 40 mil pessoas. São pequenas doações, não é um investimento?

Certo. Pode ser uma surpresa para alguns doadores quando ele exibir o filme no Festival de Sundance (EUA). É interessante!

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