Andrea Beltrão: ‘Quem não é péssimo de vez em quando?’

Por Tercio Braga
Atriz vive ‘pior intérprete do mundo’ na peça ‘Jacinta’ | Nil Canindé/Divulgação Atriz vive ‘pior intérprete do mundo’ na peça ‘Jacinta’ | Nil Canindé/Divulgação

Prestes a completar 50 anos, Andrea Beltrão volta a encontrar parceiros de longa data para montar “Jacinta”. Com direção de Aderbal Freire-Filho, texto de Newton Moreno e direção musical do titã Branco Mello, o espetáculo musical estreia nesta sexta-feira em São Paulo após temporada no Rio, onde foi apresentado no Teatro Poeira, fundado pela atriz Marieta Severo em 2005. A peça fica em cartaz até 22 de setembro no Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141, tel.: 5080-3000; sex. e sáb., às 21h, e dom., às 18h; R$ 32).

Como é trabalhar com tantos parceiros antigos?
Já dá vontade de pensar em outra coisa para fazermos! É muito bom trabalhar com pessoas que a gente respeita, admira e tem afinidade artística e pessoal também.

Como “Jacinta” foi criada?
Eu e a Marieta queríamos algo bacana para colocar no Teatro Poeira depois da inauguração e levamos “Agreste”, um espetáculo muito importante do Newton, que ganhou prêmios. [Nessa época] ele já me ofereceu “Jacinta”, mas eu queria fazer outra peça com Marieta – eu vivo querendo fazer peça com ela! Aí veio “As Centenárias” e lá se foram três anos. Quando acabou, dei uma respirada e procurei o Newton. Aí a gente arregaçou as mangas e fez.

Por que dar uma abordagem musical à peça?
Um de nós – não lembro exatamente quem – teve a ideia de fazer uma versão musical. Ela foi toda mexida pelo Aderbal e pelo Branco Mello, que escreveu muitas músicas. Acho que a gente queria uma novidade, algo que fosse bem difícil para a gente fazer. Ao mesmo tempo, todos nós somos apaixonados por música e resolvemos seguir por aí. Então tem funk, fado, opereta, rock pesado… É uma diversidade muito legal.

A peça passeia por vários estilos musicais e também pela própria história do teatro.
O espetáculo abre as vísceras do teatro para o público. Tudo o que acontece [em cena] vem de uma pesquisa profunda sobre o teatro ao longo dos tempos. Repassamos textos importantes de gente como Gil Vivente e Shakespeare, além de modos de fazer teatro. É um grande panorama do que foi o teatro nos últimos quatro séculos… (risos) É brincadeira! É uma delícia.

O que importa mais, o amor ao teatro que a personagem carrega ou o talento?
As duas coisas. A Jacinta não tem vergonha de não saber das coisas ou de fazer feio. Ela tem uma paixão, uma sincera procura pelo que ama, que acho muito bonita e humana. E quem não é péssimo de vez em quando? Eu me lembro de tantas coisas minhas… Enfim. (risos)

Loading...
Revisa el siguiente artículo