Savages lança disco e apresenta ao público suas letras engajadas

Por Carolina Santos
Savages | Divulgação Savages | Divulgação

O Savages é uma banda de quatro mulheres de Londres, cujo ataque direto em todas as músicas é tão cruel e emocionante como o seu nome indica [em tradução Selvagens]. Gemma Thompson toca guitarra como se fosse a filha adolescente louca para fugir de casa. Sim, ela aprendeu muito com seu pai, mas ainda se rebela contra ele, com seus sons abrasivos e, ocasionalmente, atonais,  do instrumento. A cantora Jehnny Beth tem um inconfundível uivo de raiva, intercalados por espécies de convulsões coreografadas com as batidas da bateria de Fay Milto, que se entrega com as baquetas. Quem mantém todo o caos sob controle é a baixista Ayse Hassan, que fecha os olhos e deixa o grave das cordas ressonar.

A banda recentemente lançou o álbum “Silence Yourself”, um manifesto musical firme sobre políticas sexuais e a distopia do futuro. Nas letras, há um sentimento inquietante, uma abordagem que invoca medo do caminho que a humanidade está se dirigindo. “O medo é uma das principais características do comportamento humano e, aprender a controlá-lo, é um primeiro passo para a emancipação. Quando começamos o Savages, Gemma e eu estávamos falando sobre a tentativa de encontrar uma representação sonora de ideias distópicas sobre a humanidade. É por isso que as canções foram escritas dentro do conceito de uma performance. Estávamos pensando no elemento físico do som. As emoções que estão sendo criadas”, diz Jhenny.

Mesmo com temática densa, Jhenny afirma que seu método de composição tende para um lado mais solto e despojado, sem grandes malabarismos. “Sentimos isso como um processo darwinista. Se uma ideia não é forte o suficiente, simplesmente ela não vai sobreviver”, explica.

Parte da compreensão das letras do Savage pode ser entendida a partir do texto na capa do álbum, elaborado pela cantora/letrista. “Falo de um sentimento geral de auto-dispersão, que acho comum a todos, inclusive a mim. Penso que é uma ideia errada e redutora este texto ter um único significado. A minha intenção era apresentá-lo de uma maneira poética e aberto para que as pessoas interpretassem como quisessem”, explica.

Formada há cerca de dois anos, o Savages já conquistou grande público pelo mundo e, geralmente, recebe comparações com bandas que transitaram entre as décadas de 1970 e 1980, como Joy Division, Siouxsie and the Banshees e Gang of Four. “Acho que há muito mais do que isso. Tocamos em Amsterdã há alguns meses e Johnny Hostile abriu para nós. No final de seu set, Johnny disse para o público: ‘Eu quero ver vocês se acabando no show dessas garotas’. E assim o fizeram, pulando e se jogando. Amei que ele disse isso e que vê nossa música por outro ângulo, em vez de comparações costumeiras com Joy Division/Siouxsie. Isso é muito mais inspirador.”

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