Ciro Gomes: flexibilização de atividades essenciais 'vai levar pessoas à morte'

Por Rádio Bandeirantes

O ex-presidenciável e ex-governador do Ceará Ciro Gomes afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não tem um projeto para o Brasil, apenas um projeto para se perpetuar no poder, e o comparou ao ex-presidente Lula nesse sentido.

"O Lula, que fez um bom primeiro governo na minha opinião, se deixou levar por uma proposta que é o que acontece com o Bolsonaro agora. Ao invés de pensar em reformas que o Brasil precisa, trabalha para ter poder, controlar o Congresso sem ter medo de CPI ou impeachment", disse em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta segunda-feira, 11.

"Que proposta o Bolsonaro tem para o brasileiro que quer que o Congresso vote? Não existe esse projeto, esse é o problema. Ele tem é um projeto de poder", acrescentou.

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Impeachment
Para Ciro Gomes, Bolsonaro é passível de impeachment por vários motivos, incluindo sua postura diante da crise da pandemia de coronavírus no País.

"Quanto o PT propôs impeachment do Fernando Henrique Cardoso fui contra, no da Dilma [Rousseff] fui contra, até um tempo atrás era contra o impedimento do Bolsonaro, mas mudei minha opinião. O impeachment é um trauma grande, não dá para usar de dois em dois anos, não é remédio para governo ruim, mas é uma punição grave quando há crime de responsabilidade", pontuou Ciro.

"Um deles é atentar contra as instituições. O Bolsonaro jurou defender a Constituições e foi para porta de quartel do Exército confraternizar com quem propõe fechar o Supremo, o Congresso, pedir AI-5, isso é crime de responsabilidade típico", acrescentou. "Outro crime é atentar contra a saúde pública. Esse vírus assassino não tem vacina, remédio, só há uma saída: o isolamento social. [Bolsonaro] trabalha contra. É o único chefe na Terra com essa postura, ainda hoje assinou um decreto aumento serviços essenciais [como salões e academia], essa flexibilização vai levar pessoas a morrer".

Ainda assim, segundo Ciro, um julgamento político como é o caso do impeachment demora, pelo menos, seis meses. "O Brasil não tem tempo para gastar com isso agora", opinou.

Crise política
Ciro ainda criticou a crise política que chegou ao governo envolvendo a Polícia Federal. Para ele, isso dispersa a energia que deveria estar concentrada na saúde pública e nos impactos econômicos que estão dizimando empregos.

"A situação é da pior crise de saúde pública em 100 anos e, sem exagero, a pior crise econômica da nossa história. Agregar confusão política a isso é tudo o que não precisamos agora", concluiu.

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