Purple Day: como o coronavírus pode afetar epilépticos

Por Metro Jornal com Agência Brasil

Ver uma pessoa tendo crises convulsivas pode ser, para muitas pessoas, algo assustador. No entanto, para lidar com essa situação, é importante manter a calma. A fim de conscientizar a população sobre a doença, o dia 26 de março (hoje) foi instituído como o Purple Day, Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia.

“Além de ser uma data visando à conscientização sobre a doença, o Purple Day é uma oportunidade para combater as injustiças sociais vividas pelas pessoas com epilepsia”, diz a presidente da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), Maria Alice Mello Susemihl.

A epilepsia é uma doença neurológica crônica que afeta pessoas de todas as idades, mas, na maioria das vezes, manifesta-se na infância e após os 60 anos. Segundo a ABE, estima-se que 1,5% da população mundial tenha epilepsia, percentual que corresponde a cerca de 50 milhões de pessoas portando a forma ativa da doença – termo que se refere a quem teve crise no último ano.

Ainda de acordo com a ABI, cerca de 10% da população mundial poderá ter alguma crise epilética ao longo da vida.

A fim de esclarecer sobre supostas correlações entre a epilepsia e o novo coronavírus (covid-19), a ABE divulgou um vídeo no qual o vice-presidente da entidade, Lécio Figueira, faz alguns alertas. Uma recomendação é que o epilético evitar estresse em decorrência das notícias alarmistas, nem sempre verdadeiras veiculadas sobretudo nas redes sociais.

“Um ponto importante é que as pessoas têm de ter cuidado diante desse contexto todo, porque o estresse é uma das causas de piora das crises epiléticas. Então tomem cuidado com o excesso de informações em redes sociais e na mídia”, diz o médico.

Segundo Figueira, a doença “por si só não reduz a imunidade”. Logo, não seria fator de risco para pegar o novo coronavírus. No entanto, acrescenta o médico, epilepsia não é uma doença só. É um conjunto de doenças.

“Em algumas pessoas, pode haver risco maior. Algumas delas tomam medicações que reduzem a imunidade, como corticoides e outros imunodepressores. Nesses casos, existe risco aumentado de infecção pelo coronavírus. Já os pacientes que, em geral, tomam apenas os remédios usuais para epilepsia, em suas doses habituais e sob acompanhamento, não vão mexer na imunidade”, ressalta Figueira.

Nesses tempos de covid-19, Figueira destaca a importância de continuar tomando os medicamentos conforme prescrito pelo médico. “Até porque, se parar, pode ter crise e ter de ir ao hospital e acabar entrando em contato com pacientes com o novo coronavírus que estejam aguardando atendimento.”

Outro alerta é para evitar estocar medicamentos, por medo de que venham a faltar posteriormente. “Não comprem remédios para estocar porque eles podem acabar faltando para outras pessoas”, diz Figueira.

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