Olimpíada de Tóquio: cheiro de adiamento no ar

Pressionado por atletas e dirigentes, o primeiro-ministro do Japão, pela primeira vez, admite a possibilidade de mudar as datas dos jogos

Por Fernando Valeika de Barros, especial para o Metro

Até então inflexível com relação a um eventual adiamento da Olimpíada de Tóquio, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, admitiu pela primeira vez que esta possibilidade pode ser "inevitável". Foi em um pronunciamento, durante sessão do Parlamento Japonês, nesta segunda-feira (23).

“Iremos conversar com os nossos parceiros sobre a situação”. Segundo Abe, a decisão deverá ser tomada em até quatro semanas. Até agora, os jogos estão previstos para iniciar no dia 24 de julho.

Enquanto isso, cresce a pressão de vários países pelo adiamento. Em um comunicado, o Comitê Olímpico do Canadá declarou que “tomou a difícil decisão de retirar-se da próxima Olimpíada, após consultar atletas, dirigentes de federações e o governo canadense.”

“Reconhecemos que postergar os Jogos Olímpicos de 2020 é algo complexo, mas que não há nada mais importante do que a saúde e segurança dos atletas e comunidade mundial”, diz a nota.

No sábado (21), o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) divulgou uma nota, assinada por seu presidente, Paulo Wanderley, também recomendando o adiamento dos Jogos Olímpicos para o ano que vem. “Como judoca e ex-técnico, aprendi que o sonho de todo atleta é disputar os Jogos, em suas melhores condições. Mantê-los para este ano impedirá que este sonho seja realizado em sua plenitude.”

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A favor de um adiamento, o ministro da Saúde da França, Olivier Véran, disse que, caso a data não seja mudada, não gostaria de que seu país não enviasse delegação para Tóquio.

Comitês Olímpicos da Espanha, Noruega, Austrália, Eslovênia e França e as federações de Atletismo e Natação dos Estados Unidos, também, defendem o adiamento. No sábado, 75% dos 300 atletas americanos consultados se manifestaram contra a realização dos jogos no Japão neste ano.

“Nosso objetivo neste momento é que atletas tenham o tempo necessário para se prepararem física, mental e emocionalmente, e agora a prioridade é que cuidem de si e de suas famílias”, escreveu Max Siegel, presidente do USATF, o organismo que organiza o atletismo nos Estados Unidos.

Há quem defenda que o adiamento seja para 2022, como americano Carl Lewis, que já conquistou nove medalhas de ouro na carreira. Para ele, seria uma solução para não causar adiamentos em competições importantes já marcadas para o ano que vem, como os Mundiais de Natação e Atletismo.

Como a Copa do Mundo de Futebol, prevista para o Qatar, está prevista para novembro daquele ano, haveria espaço para a Olimpíadas acomodarem-se no calendário, que ainda terá os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em fevereiro, de 2022. “Seria um ano recheado de grandes eventos esportivos”, diz Lewis.

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