Fuga de voto não combina com democracia

Por fabiosaraiva

xico-vargas colunistaPor mais preocupante que seja, não parece tirar o sono dos candidatos a governador do Rio a expressiva marca de 20% entre os eleitores que anularam o voto ou simplesmente se abstiveram de votar. Embora o número seja maior que a votação do 2º colocado, a nenhum deles até agora pareceu importante esmiuçar o desinteresse dessa parcela da população.

Talvez devessem, porque mais importante que a sopa de letrinhas das coligações – ou os negócios que serão feitos nos próximos dias para pedir os votos no segundo turno – é tentar descobrir o que passa pela cabeça dessas pessoas. Já dá para saber, por exemplo, que o assistencialismo primário da fralda descartável foi deixado do lado de fora da urna.

Mas ainda não se percebe muito mais do que isso. Apesar de todas as mazelas que arrasta e as ameaças que se repetem quase diariamente, a política de segurança em curso mais agrada do que deixa inseguras as pessoas de bem. Tema caro à população, as UPPs não foram alcançadas pelos batalhões sociais prometidos por Garotinho ou pela reforma do projeto de Crivella.

Na mesma trilha se poderia incluir a educação, que nos últimnos anos cresceu no Ideb. Mas como comparar os resultados da saúde? Se houve melhora na rede do município – e houve – estagnaram no conjunto de hospitais. Da rede de hospitais e institutos federais no Rio nada escapa, pois há muito estão carcomidos pelo descaso.

Mas, ainda que o eleitor não tenha deixado de sinalizar onde lhe apertam os sapatos não demonstram pressa os candidatos. Tanto Pezão, que saiu do nada para 41% dos votos, quanto Crivella, que talvez tenha produzido em Garotinho mudança para ser percebida somente nos próximos anos, não demonstram inclinação para o novo.

Por mais que, como dizem os marqueteiros da política, segundo turno seja nova eleição, tudo indica que só um grande erro do governador poderá provocar uma revolução nos resultados de agora. Ainda mais quando o segundo colocado joga a rede em qualquer direção para negociar apoio.

Certamente não serão os votos entesourados por Garotinho ou por Lindbergh Farias o socorro ideal para a campanha de Marcelo Crivella. Aparentemente desperdiça energia o senador, quando tenta convencer o carioca que o grande defeito do projeto de segurança está no uso político das UPPs.

Para quem muitas vezes só consegue voltar para casa sai de casa quando acabam os tiroteios pode ser mais importante dormir em paz até o amanhecer. Em lugar de simplesmente correr atrás dos votos que faltaram, os candidatos talvez devessem buscar explicação para o número cada vez menor dos que chegam às urnas.

 

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br. Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

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