Na Assembleia do Rio nem o escrito vale

Por fabiosaraiva

xico-vargas colunistaNotícias mal apuradas ou fundadas em falsidades resultam, quase invariavelmente, para os autores uma cadeia de prejuízos que começa nos desmentidos e, de acordo com a gravidade, desdobra-se em medidas judiciais. Esvaziam o bolso e, no extremo, podem levar à prisão. A frequência com que são encontradas num veículo corrói-lhes a credibilidade, um dos maiores ativos, afasta a opinião pública e leva à bancarrota. Exemplos não faltam.

Isso é o que geralmente acontece no mundo real, onde jornais, revistas, TVs e rádios dependem de assinantes, venda avulsa e audiência para sobreviver. Nada, porém, isenta de erros essa imprensa. Ainda que se observe, nos melhores exemplos, esforço permanente para reparar a cada edição equívocos da edição anterior. Essa saudável providência, no entanto, não alcançou até agora a “imprensa oficial”, herança da corte portuguesa para dar a público a mais completa tradução dos atos dos governos.

Há muito não nos era estranha a escassa serventia da maioria dos deputados do Rio de Janeiro. Agora, graças à repórter Pâmela Oliveira, sabe-se que, além disso, eles só comparecem ao local de trabalho para registrar a presença. Nada, portanto, que os aproxime da vida de quem lhes paga, entre outras coisas, os salários, o carro oficial, o combustível e a tropa de aspones, para ficar só nisso.

Beira o ridículo sessões em que o painel eletrônico que registra a presença assinalar a existência de mais de 20 deputados no plenário, apesar de ninguém conseguir contar mais de meia dúzia. Com a chancela da Casa, no entanto, o Diário Oficial do Estado do dia seguinte publicará nas páginas destinadas ao Poder Legislativo que havia ampla maioria na sessão. Como relata a repórter, sessão que caiu por falta de quórum (apenas 10 deputados no plenário) foi registrada no Diário com a presença de 40.

Quem pedirá ao Diário Oficial para corrigir a informação falsa que empurrou para o contribuinte? Ninguém, certamente, e basicamente por dois motivos: porque o Diário, apesar de se revestir da impressão de credibilidade que deriva de atos oficiais, não passa de pastiche. Não é imprensa, mas boletim que reproduz carimbos e informações geradas nos gabinetes. Verdadeiras ou não. E porque, como assegura o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Melo, essa falcatrua existe há 20 anos e ele pretende mantê-la. Melo, só para avivar a lembrança, é o ilustre parlamentar que contratou para os gabinetes que ocupa na Casa serviço de cafezinho ao custo de R$ 50 mil por ano para o contribuinte.

É essa Assembleia, onde, ao contrário do jogo do bicho, nem o escrito vale, que cariocas e fluminenses pretendem reeleger, revelam as pesquisas.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br. Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

 

 

 

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