Os que não largam o pudim estão de volta

Por fabiosaraiva

xico-vargas colunistaO cenário de horrores que a rede federal de saúde oferece ao carioca tem passado ao largo de todas as campanhas. Entre a maioria dos candidatos ao Governo do Estado a esperança de recolher simpatias que caiam do balaio federal expurgou dos discursos o assunto. O que resta na penca de nomes que quer governar o Rio finge que o tema não existe. Mexer nisso sacode um corporativismo poderoso e ninguém joga veneno nas próprias raízes.

Deputados e senadores que correm atrás de outro mandato penduram retrato nas favelas e vendem abobrinhas no horário político. Mas não explicam por que os eleitores que botaram em fila há quatro anos para colher os votos estejam hoje na porta dos hospitais da rede federal enfileirados para morrer à espera de cirurgia.

Poderiam, por exemplo, ter chamado o ministro da Saúde às falas. Talvez desse em nada, porque convocar autoridade para contar lorotas está entre as atividades corriqueiras no Congresso. Mas balançar o coreto do poder sempre rende barulho, ainda mais quando o dono do ministério, na época, apesar de inepto, queria governar São Paulo.

A brava bancada carioca, no entanto, preferiu ocupar-se com outras coisas, pois dá trabalho cuidar de eleitor que, ainda por cima, quando morre, leva o voto. Pior, às vezes leva o da família inteira. Por isso, para correr atrás de quem vota é sempre mais fácil acenar com fralda, cesta básica e dentadura do que sacudir o Executivo.

Os costumes do Legislativo não recomendam cutucar para cima. É de lá que vem a liberação das emendas, a velha mutreta parlamentar carregada de dinheiro, que sempre permite trocar favor por voto. Disso vive a catrefa que habita as casas legislativas do país. No Rio, onde a rede federal nega cirurgias, leitos, remédios e até atendimento de emergência, sobram inquéritos que mostram malfeitos, mas ocultam autores.

Há 12 anos jogou-se no lixo um hospital inteiro, novinho em folha, à espera da inauguração. Há pelo menos três anos rola um calhamaço, com jeito de investigação, que até hoje leva a nada. Talvez nunca se saiba o que, além do vício dos eleitos de esconder a obra do antecessor, condenou o Instituto de Neurociência à sucata.

Nos últimos dias, na BandNews FM, temos recebido incontáveis queixas de pacientes de câncer que vêm sendo jogados ao desterro em mais duas filas. Faltam drogas para quimioterapia e equipamentos para radioterapia. Talvez não faltassem se a turma que tungou em 2011 devolvesse os R$ 100 milhões dos hospitais federais do Rio. Mas por enquanto só estão chamando a polícia para proteger a eleição do pessoal que assistiu a tudo isso e pretende continuar agarrado ao pudim.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br. Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

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