Candidatos escondem ameaça ao futuro

Por fabiosaraiva

xico-vargasA 40 dias de uma eleição para a qual os candidatos embaralham promessas que misturam multiplicação de UPPs, escolas de tempo integral, batalhões de cidadania, UPAs de alvenaria, entre dezenas de quimeras, o presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman, fez uma descoberta alarmante: o Rio, segunda capital do país, tem mais de 24 mil crianças, entre 6 e 14 anos, fora das salas de aula. Comparando-se essa população com as das cidades brasileiras, a maioria não soma tanta gente.

Mas está no resultado dessa pesquisa do Iets o número que aponta para um cenário para o qual pouca importância terão os programas com os quais o punhado de candidatos que disputa o governo do Rio acena hoje. Não lhes falta noção de que, sem alunos, não há fundamento em escolas, sejam em turno integral ou parcial, com ou sem eleição direta para escolher diretores. Tampouco lhes escapam os caminhos que levaram ao drama de hoje.

Mas, ainda que não seja pequena, a ameaça não se limita a isso. Mais sombrio parece ainda o futuro, quando se somam aos números do Iets os resultados de recente pesquisa do Instituto Pereira Passos, da prefeitura, em 10 favelas ocupadas por UPP:  16,1% dos jovens entre 14 e 24 anos moradores dessas áreas não estudam, não trabalham e não estão em busca de emprego. Juntos, o trabalho do Iets e o do IPP levam a concluir que o Rio já reúne uma sequência de gerações às quais, na prática, o direito à educação tem sido negado. Como bem disse Schwartzman à repórter Hilka Telles, professores mal preparados, repetidas greves e alunos difíceis são ingredientes indispensáveis à receita desse tipo de desastre.

Mas, sejam quais forem as causas, o que fica visível é a absoluta ausência desse quadro tenebroso nos discursos dos principais candidatos ao Governo do Estado. A menos que estejam tomando o eleitor como parvo, pode-se concluir o seguinte: como não  desconhecem o fenômeno, os candidatos estão fingindo que ele não existe ou que a encrenca não é com eles.

É inegável que num Estado onde a rede pública de ensino oferece 50 dias de aulas – somados os intervalos das greves do primeiro semestre – a qualidade da educação não estimula a permanência na escola. Fora dela, no entanto, o que se pode esperar é o aumento da violência e a repetição de conflitos como os que, no curso das últimas décadas, nos trouxeram até aqui.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br. Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

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