Alvo fácil na guerra contra pacificação

Por fabiosaraiva

xico-vargasNão há mais dúvidas de que as mortes – já de quase duas dezenas – de PMs lotados em UPPs evidenciam uma guerra. Com desvantagem para os policiais, que usam uniforme e têm como rotina patrulhar territórios “minados” pelo tráfico. Ao contrário do traficante que, sem arma pendurada no ombro, se não for conhecido pode passar por morador inocente, o PM entra no alvo assim que o bandido bota os olhos nele.

É tudo de que as facções precisam para semear o terror, desestabilizar a polícia e ameaçar a pacificação. Mas, tirando o programa do secretário Beltrame e a agressão frontal à polícia, a crise de hoje repete momentos de pavor que o Rio já encarou. Os ônibus queimados com passageiros dentro e os ataques a delegacias, de passado recente, têm em comum com o terror de agora as ordens que saem das prisões federais e estaduais.

Silenciar os chefes trancafiados não é tarefa das mais fáceis. Nas penitenciárias federais, onde os bloqueadores de celular realmente funcionam, até as pedras do pátio sabem que advogados, regiamente pagos pelas facções, são os melhores mensageiros a serviço do crime. Justamente por isso, não faltam no mundo prisões de segurança máxima em que conversas entre presos e seus visitantes, além de ocorrerem através de interfones, são aleatoriamente gravadas.

Nas cadeias estaduais – e não apenas no Rio – apesar de o Ministério da Justiça há dois anos ter oferecido ajuda para a instalação de bloqueadores de celular que valham o nome, nada andou. Nas penitenciárias de Gericinó chega a ser ridículo. Enquanto na favela Vila Kennedy, encostada nos muros dos presídios, aparelho algum funciona, de dentro das celas fala-se dia e noite com a cidade toda. Principalmente para extorquir.

É assim há décadas, mas não inspirou Justiça ou legisladores a sugerir leis que aumentem a proteção da sociedade. Ao contrário, enquanto no Rio a bandidagem afronta a segurança, em Brasília a ampla bancada fluminense se engalfinha em torno da reforma ministerial. Do Judiciário tampouco se pode esperar que a gravidade do crime ou a habitual reincidência incentivem juiz a manter bandido nas grades.

A penca de traficantes que invadiu um hotel em São Conrado e fez 150 hóspedes reféns ganhou a rua em menos de três anos. É como os dois dos bandidos do Comando Vermelho (Fu e Marreta), que agora articulam as mortes no Rio. Ambos  foram enviados para presídios federais – mais seguros – mas a Justiça refrescou. Deu-lhes regime semiaberto e eles caíram no mundo. Reapareceram matando a polícia. Separando o interesse político, que aposta no pior, é claro que o Rio também vai ganhar esta. Mas não cedo, nem fácil.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br. Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

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