Vereadores ainda não entenderam a rua

Por fabiosaraiva

xico-vargasCertos personagens da política são como aqueles bonecos que quanto mais os derrubam, mais rápido voltam à vertical. Na Câmara Municipal, a notícia mais rejeitada nos últimos quatro anos é a disposição dos vereadores de botar de pé um novo prédio. Desde 2011, porém, ela se tornou recorrente e revela a preferência de suas excelências pela zona portuária, onde o reordenamento urbano e o projeto Porto Maravilha deverão produzir vistosa e valorizada área.

Este ano, com mais cautela, a conversa aponta para 2016. Quando as Olimpíadas acabarem e a Empresa Olímpica perder o sentido, o terreno ao lado da prefeitura, onde hoje se instala, ficará vago, já que se trata de edificação composta por contêineres, que são de fácil desmonte e remoção. O truque, então, é convencer Eduardo Paes, que estará encerrando a passagem pela prefeitura, a vender o terreno à Câmara. Ali seria erguido um prédio para instalar o Plenário e os gabinetes dos briosos vereadores.

Essa nova versão ganhou a rua por obra da assessoria do presidente, vereador Jorge Felipe, justamente no recesso, já que a Casa passou o cadeado na porta no meio de dezembro e só a reabrirá em 15 de fevereiro. A escolha do período tem, por isso mesmo, o objetivo de experimentar a opinião pública para evitar eventuais confrontações entre legisladores da cidade e seus eleitores. Nada mais prudente, depois do ardiloso fiasco da CPI dos ônibus.

Trata-se, então, de notícia-teste; pronta para voltar às sombras dependendo do que os vereadores encontrarem pela frente na volta ao palácio Pedro Ernesto. Em benefício da cidade, seria bom que o carioca não lhes desse trégua. Pouco importa ou justifica a explicação de que a Câmara tem dinheiro para comprar o terreno e erguer o prédio. Não o tem certamente porque produziu, mas porque recebeu dos impostos fatia maior do que necessita. Deveria devolver.

Se hoje, que as excelências se dizem espremidas no Pedro Ernesto, a Câmara mantém a média de 45 funcionários por vereador (a maioria pendurada na boquinha por indicação política, sem concurso), imagine-se para onde vai esse número se conseguirem mais espaço. Com tudo isso, no entanto, encerraram o ano tendo aprovado apenas 11% (115) de todas as propostas apresentadas em 2013 – metade delas bobagens como homenagens, moções de aplauso e trocas de nomes de rua para puxar o saco de alguém. É para isso que os nobres vereadores desejam mais espaço. Portanto, ou não entenderam o que aconteceu em junho nas ruas, ou deveriam ser apresentados à saudável temperatura de uma cela superlotada de Bangu.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br. 

Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

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