O vereador é cada vez mais inútil

Por fabiosaraiva

xico-vargasNa Inglaterra, na Argentina ou no Chile, um vereador de capital como o Rio custa ao contribuinte entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões por ano. Na maioria das capitais brasileiras também. Mas, aqui, não. Cada um nos custa mais de R$ 5 milhões anuais. Dá o que pensar pois, numa comparação mundial, se entregamos um naco de mais de R$ 255 milhões dos impostos aos 51 que temos é porque, em tese pelo menos, seriam muito mais capazes na prestação de serviços à cidade.

Mas não é o que se percebe ao examinar as entranhas da Câmara Municipal. No site, quem tentar conhecer os fundamentos da “atividade parlamentar” será apresentado a um longo texto que define “homenagens”. Nele descobrirá que os vereadores do Rio se atribuem o poder de homenagear quem lhes der na telha, no Brasil e no mundo, com sua principal comenda, a medalha Pedro Ernesto, e condecorações variadas.

Nesse capítulo entram as moções, que são uma forma de puxassaquismo explícito, já que sequer resultam de decisão do legislativo. Podem representar o desejo de um único vereador interessado em aplaudir alguém. Para isso, basta obter a concordância do presidente da Mesa Diretora e a pessoa que o vereador está interessado em agradar será homenageada em sessão solene. Uma beleza.

Mas, para que não se pense que só legislam em causa própria, são pródigos os vereadores cariocas na produção de projetos de lei, instrumentos que, teoricamente, deveriam tratar à minúcia de questões fundamentais para a vida da cidade. Mas, de um grupo que este ano, entre outras inutilidades, conseguiu propor a criação do Dia Municipal da Caridade, temas aos quais se possa atribuir relevância são raros.

Em compensação, é interminável a lista do que não apenas guarda importância discutível, como trata de interesses muito segmentados. Ali estão desde propostas para incluir o “Dia do Pelotão da Bandeira do Colégio Pedro II” no calendário da cidade até a autorização para “a prática do ‘topless’ nas praias do município do Rio de Janeiro”. Sem contar projetos de tombamento da gafieira Elite, do jornal ‘Tribuna da Imprensa’ e do funcionamento da feirinha de arte do Lido.

Não se pode, portanto, classificar como produtivo o trabalho dessa gente. Apesar disso, entre técnicos, assessores e funcionários em geral, a Câmara emprega mais de duas mil pessoas (40 por vereador). São esses vereadores, para os quais pagamos até a gasolina, que acabam de fechar as portas para 60 dias de férias. Justamente quando a cidade mais precisa de ajuda para voltar a ficar de pé. Mas, tem algo de bom nisso: mostra que não só o carioca, mas os próprios vereadores percebem que não servem para nada.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’ na rádio BandNews Fluminense FM, em dois horários, e na página da emissora no Facebook, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br.  Escreve no Metro Jornal do Rio de Janeiro

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