Ditados adaptados para o futebol

Por fabiosaraiva

rubem-penzO que segue é quase uma capitulação. Faltando pouco para a Copa do Mundo de Futebol – Brasil 2014, o esporte bretão domina a cena: campanhas publicitárias, noticiário, debates políticos, obras pela cidade, aeroportos, hotéis, táxis, restaurantes, bares, revistas, livros, ufa!, absolutamente tudo é Copa. Portanto, utilizar o espaço da crônica para brincar com o tema jamais poderá ser considerado uma inadequação. No máximo, serei chamado de “Maria vai com as outras”.  Pensei em adaptar alguns ditados para utilizarmos de agora até agosto. Depois, voltamos para o enunciado original. Segue:

Ao invés de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, passaremos a dizer: se marcar de perto o bicho dribla, se marcar de longe o bicho chuta;

Para o caso de “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, fica: ataque mole em defesa dura, tanto batem até sofrer um gol de bola parada;

O famoso “não há mal que sempre dure, nem bem que nuca se acabe”, dá lugar ao: não há cabeça inchada que sempre dure, nem flauta que nunca se acabe;

Para o clássico dos clássicos “devagar se vai ao longe”, um conselho ao estilo Barcelona: com posse de bola se vai ao longe;

Também se pode trocar “pau que nasce torto, morre torto” por: chute que nasce torto, morre na linha de fundo – quando não na lateral;

Lembrando as categorias de base do Santos FC, substituiremos o “é de pequenino que se torce o pepino” por: é de pequenino que se faz um ambidestro;

Ditados de grande apelo popular como “três coisas nunca se consegue saber – o que sairá de barriga de grávida, bolsa de mulher e cabeça de juiz”, se transforma em: três coisas nunca se consegue saber – para que lado vai quem dribla, o que se passa na cabeça do técnico e qual será a interpretação do árbitro;

O positivo, ainda que muito romântico, “a união faz a força”, convém adaptar para: o bicho faz a vitória;

O prudente “em boca fechada não entra mosca” se transforma no igualmente seguro: em boca fechada não entra cartão amarelo;

Por fim, mesmo que a brincadeira renda bastante, fecho a conta com “em casa de ferreiro, espeto de pau”, que vira: em casa de jardineiro, campinho de areão.

Gostou? Experimente criar os seus. Ditados não faltam. E estímulos para pensarmos em futebol o tempo inteiro, também não.

Rubem Penz é escritor, músico, publicitário, baterista e compositor. Autor de “O Y da questão e outras crônicas” e coordenador da oficina literária Santa Sede. Seu site é rubempenz.net Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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