Narradores torcedores

Por Carolina Santos

odir-cunha colunistaNa quinta-feira, narradores e comentaristas, tanto da ESPN, como do Sportv, torceram para o Botafogo contra o Santos. Você percebe que estão torcendo porque só dizem o que um time tem de fazer para ganhar, só elogiam, ou lamentam, as boas e más jogadas de um time, como se o outro não existisse.
Será que fizeram isso obedecendo à tendência de torcer para o mais fraco? Ou porque boa parte dos comentaristas esportivos da tevê, além de não conhecer

a língua e a técnica, também desconhece a ética da profissão?
Será, finalmente, que querem fazer média com a opinião pública carioca? No caso do Sportv, não há dúvida, pois a Globo é do Rio, mas de parte da ESPN não se entende tal preferência, a não ser pela simpatia pessoal de narrador e comentarista, pois não há comparação entre as torcidas de Santos e Botafogo na rica praça do Estado de São Paulo, em que a emissora tem mais audiência.
O dublê de ex-goleiro e comentarista Ronaldo disse antes da partida que torceria para o Botafogo ser campeão da Copa do Brasil, porque seus jogadores estão com os salários atrasados. Ora, se é por isso, o Santos também está. Narrador tem de narrar com a mesma intensidade para os dois times – ainda mais quando ambos são brasileiros – e comentarista tem de enxergar os defeitos e as qualidades dos dois contendores. E isso requer “apenas” competência e, é claro, isenção. Mas até nesse ponto nosso futebol vai mal.


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