Precisa-se de torcedor disposto a sofrer

Por fabiosaraiva

odir-cunha colunistaQuando comecei a ir ao futebol, descia no Brooklin e caminhava, com meu irmão Marcos, até o Morumbi. Cumpríamos as descidas e subidas em cerca de uma hora. No caminho encontrávamos outros santistas, animados e ansiosos com a perspectiva do alumbramento que só o futebol provoca. Daquela época vem os recordes de público do futebol paulista, quase todos produzidos pela apaixonada torcida do Santos.

Se, em vez de São Paulo, eu morasse em Santos, não sairia da Vila Belmiro. Já parti de vários pontos da cidade e nunca demorei mais do que 45 minutos, em ruas planas e seguras, para alcançar o templo do futebol. Mas se Santos tem 200 mil santistas, onde estão eles? Dizem que ficam em suas casas, vendo tevê, ou vão ao boteco. Alguns ressaltam que santista é exigente e não gosta de sofrer.

Esta semana, no meu blog, e agora por esta coluna, estou convocando os  santistas para o jogo deste sábado, às 18h30, no Pacaembu, diante do Vitória. Mas, veja bem, não estou convidando para gozar momentos de alegria, grandes gols e uma vitória inesquecível. Isso a gente sempre quer, mas raramente acontece. Se você não gosta de sofrer, vá assistir ópera ou balé clássico. Porém, se criar coragem e for ao Pacaembu, posso prometer que vamos sofrer juntos, como jovens ou velhos torcedores de verdade fazem.

Odir Cunha é jornalista multimídia com 38 anos de experiência, dois prêmios Esso e três da APCA. Escritor com 21 livros publicados, 10 deles sobre o Santos, é editor da Editora Magma Cultural, editor de conteúdo do Museu Pelé e dono do blog http://blogdoodir.com.br/ Escreve no Metro Jornal de Santos

 

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