O Brasil não precisa mais do futebol

Por Carolina Santos

odir-cunhaQuando a Seleção perdeu a Copa de 50 por apenas 2 a 1 diante do respeitável Uruguai, o país inteiro caiu nas costas do goleiro Barbosa, pois aquela conquista iria afirmar o Brasil no mundo e mostrar que não éramos um bando de vira-latas.

Mas hoje, que o futebol não é mais imprescindível para reforçar a identidade nacional, Julio César, o goleiro brasileiro mais vazado de todas as Copas, seguirá com sua vida, tranqüilo. Não será perseguido, nem humilhado, como o pobre Barbosa.

Aquela velha paixão pelo futebol, que fazia a narração vertiginosa dos speakers reverberar pelas ruas em domingo de jogo, não existe mais. Na São Paulo de 1942, uma cidade com cerca de um milhão e 450 mil habitantes, 45.913 pessoas se apertaram no Pacaembu para ver o clássico decisivo entre Palmeiras e São Paulo.

Setenta e quatro anos depois, a capital paulista tem mais de 11 milhões e 500 mil habitantes, mas só 31.031 deles foram ao recém-inaugurado Itaquerão –ocupando metade da lotação do estádio – para ver o clássico que em outros tempos arrebanhava multidões.

Somemos a isso uma Copa Libertadores medíocre e mesmo assim sem times brasileiros; clubes endividados pedindo clemência à presidente Dilma; o horário do metrô alterado para não atrapalhar o da novela, e constataremos que ou o futebol brasileiro se reinventa – mais justo, mais bonito, mais honesto e mais competitivo –, ou suas glórias virão apenas do passado.

APCA. Escritor com 21 livros publicados, 10 deles sobre o Santos, é editor da Editora Magma Cultural, editor de conteúdo do Museu Pelé e dono do blog http://blogdoodir.com.br/

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