Assassinato de torcedor não é fruto de briga banal

Por fabiosaraiva

odir-cunhaTratar o assassinato do torcedor Márcio Barreto de Toledo apenas como uma briga banal entre torcidas, é a maneira mais negligente de prolongar a violência que infesta o futebol. E a sociedade. Casado, o rapaz de 34 anos, pai há alguns meses, foi pego de surpresa e espancado até a morte por 15 integrantes de uma torcida contrária, em um massacre minuciosamente planejado.

Assim como ninguém vai querer ver um filho, um parente, um amigo, assassinado sem motivo por um bando de animais, não se pode deixar que tal crime seja engavetado apenas porque a vítima pertencia a uma torcida organizada.

É ilegal pertencer a uma torcida organizada? Não. É desinteressante? Também não. Ao contrário. As TVs amplificam seus cânticos e mostram suas festas, que fazem parte do espetáculo. Nelas, o jovem da periferia se sente parte de um grupo, com companheiros, valores, códigos, uma paixão e um ideal.

É perigoso? Sim. Pode ser violento? Sim. Mas não é a principal TV do país que passa o ídolo quebrando a perna ao vivo ao tentar chutar o adversário? Sim, mas quando a violência explode nas ruas, todos tentam lavar as mãos.

A solução é extinguir as organizadas? É tentar discipliná-las, punindo rigorosamente seus infratores? Talvez, mas nenhuma medida será definitiva enquanto a educação e a cidadania não forem prioridades no Brasil e os jovens não precisarem entrar em uma torcida organizada para se sentirem respeitados.

Odir Cunha é jornalista multimídia com 38 anos de experiência, dois prêmios Esso e três da APCA. Escritor com 21 livros publicados, 10 deles sobre o Santos, é editor da Editora Magma Cultural, editor de conteúdo do Museu Pelé e dono do blog http://blogdoodir.com.br/ Escreve no Metro Jornal de Santos


Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo