Futebol Pôquer

Por fabiosaraiva

odir-cunhaNa contratação do atacante Leandro Damião, a diretoria do Santos agiu como um jogador de pôquer, ao usar um dinheiro que não tem, para um lance ousado, que poderá lhe render polpudos dividendos, mas também levar o clube à ruína.

Há aspectos negativos e positivos nessa jogada temerária, mas os primeiros são mais evidentes, pois o Santos se tornou devedor do suspeito fundo maltês Doyen Sports, ao qual terá de pagar R$ 42 milhões a juros de 1% ao mês, que somados ao salário do jogador alcançarão R$ 1 milhão mensais, fora o principal.

Para complicar, Damião passou 2013 machucado e fora de forma, a ponto de marcar 13 gols em 48 partidas, média de 0,270 gol por jogo. Thiago Ribeiro, a quem deverá substituir, marcou 7 gols em 26 jogos, média quase idêntica de 0,269.  Apesar de jovem (24 anos) e de ter remota possibilidade de ser chamado para a Copa, Damião foi supervalorizado nessa transação. R$ 30 milhões pelo seu passe já estariam de ótimo tamanho.

O lado positivo é que agora o Santos terá mais espaço na mídia e menos dificuldade para conseguir o patrocinador máster. Outro detalhe é que juros de 1% são baixos se comparados aos empréstimos bancários, que no mínimo alcançam 3,5% ao mês.

Um consolo é que mesmo com esse dinheirão não daria para trazer Robinho, com o passe avaliado em R$ 50 milhões, nem Diego, cujo valor chega a R$ 54 milhões. Mas estes eternos ídolos santistas representariam um retorno mais garantido. Leandro Damião tanto pode ser uma jogada vencedora, como um sonoro blefe, que onerará as contas do clube e complicará a administração dos sucessores de Odílio & Cia.

Odir Cunha é jornalista multimídia com 38 anos de experiência, dois prêmios Esso e três da APCA. Escritor com 21 livros publicados, 10 deles sobre o Santos, é editor da Editora Magma Cultural, editor de conteúdo do Museu Pelé e dono do blog http://blogdoodir.com.br/ Escreve no Metro Jornal de Santos

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