O novo sempre vem

Por fabiosaraiva

odir-cunhaA substituição do afamado técnico Muricy Ramalho pelo novato Claudinei Oliveira não foi engolida por muitos santistas, que viram na opção um apequenamento, uma simples opção pelo mais barato. Afinal de contas, Muricy tem muitos títulos no currículo, entre eles o da Copa Libertadores conquistada pelo Santos em 2011. E o que poderia oferecer Claudinei, alem de seu conhecimento dos jogadores da base?

Pois o jogo de quarta-feira deve ter feito esses críticos contumazes entrarem em parafuso. Com um time menos caro e ainda um jogador a menos, o Santos de Claudinei aplicou impiedosos 3 a 0 no Sao Paulo de Muricy, levando a historica Vila Belmiro a viver momentos de felicidade como há muito não se via. Surpresa? Não para mim ou para os leitores do meu blog, ou desta coluna.

Eu sei e as pessoas que tentam enxergar além do momento sabem que o novo sempre vem. Friedenreich foi um génio, mas veio Zizinho, um mestre, e depois veio Pelé, simplesmente o Rei. Devemos estar sempre abertos à possibilidade de ver o surgimento de alguém ou algo maior e mais relevante. Essa regra não serve apenas para os expoentes de uma atividade, mas para níveis subalternos também.

O mesmo Muricy já foi técnico de times pequenos, ou menores, antes de encontrar a fama e o prestígio no mesmo Sao Paulo que tenta agora, em vão, levar a um destino seguro. Por que Claudinei, que fez a universidade do futebol na Vila mais famosa do mundo, não pode se tornar um professor dos melhores? Veja bem: não estou dizendo que Claudinei e um dos melhores, mas sim que pode chegar lá.

Sei que a amargura de uma derrota nubla os pensamentos e pode tornar confusa e enraivecida mesmo a mente lúcida de um Cembranelli, um santista que nos enche de orgulho. Mas é preciso lutar contra esse escurecimento instantâneo. O futebol é visto mais claramente quando a poeira das emoções baixa. Por isso, hoje podemos afirmar que Claudinei Oliveira e tão bom, ou melhor, do que Muricy Ramalho, que os meninos Gustavo Henrique e Alison são tão bons quanto os melhores zagueiros e volantes deste Brasileiro, e que o Santos, com vontade e determinação, brigara, sim, por uma vaga no G4. Porque, acima de tudo o que já existe, o novo sempre vem.

Odir Cunha é jornalista multimídia com 38 anos de experiência, dois prêmios Esso e três da APCA. Escritor com 21 livros publicados, 10 deles sobre o Santos, é editor da Editora Magma Cultural, editor de conteúdo do Museu Pelé e dono do blog http://blogdoodir.com.br/

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