Vida sofrida para quem compra carro no Brasil

Por fabiosaraiva

marcos-silvestreGrandeza X pequenez. O Brasil é hoje a sétima maior economia do mundo, e também o sétimo produtor de automóveis. A posição no ranking até enche os olhos mas, no que diz respeito aos preços dos veículos, no tocante à facilidade e custo de manutenção (inclusive seguro), e considerando o tratamento dado aos compradores, infelizmente ainda estamos há algumas décadas de distância da sexta posição.

 

EUA X Brasil. Meu irmão americano acaba de comprar um carro zero. Trata-se de um sedã japonês de altíssimo luxo, que ele pagou US$ 43 mil na versão top, ou o equivalente a R$ 100 mil. O mesmo carro é oferecido no Brasil por R$ 215 mil. O seguro completo de um ano lhe custou US$ 560 ou R$ 1.300,00.

 

Uau! O mais interessante foi a experiência de compra. Ele me ligou no sábado às 16h e disse que havia chegado na concessionária. Uma hora depois me liga dizendo que já havia escolhido o modelo, e então iria negociar o preço. Havia um “problema”: ele queria rodas aro 19, mas o carro na cor escolhida trazia originalmente aro 18. A loja trocaria, por um pequeno acréscimo. Às 20h ele me liga da sua garagem, felizaço ao volante do carro novo, inclusive já com as rodas maiores. Quatro horas após chegar na loja!!

 

Baita decepção. Recentemente li sobre um novo modelo de carro que seria lançado aqui, e que talvez me agradaria. A revista afirmava, conforme declarações da montadora de origem americana, que o modelo top chegaria por R$ 73 mil. Semanas depois fui ver o carro. “Quanto custa?”, perguntei. “O top sai por R$ 86 mil, patrão (sic).” Portanto, R$ 13 mil de ágio. “Dá para fazer teste drive?”, arrisquei. “Ah, doutor (sic), este aqui não tem para teste. É lançamento, está vendendo bem!”. Virei e saí da loja. Não falei tchau.

 

Baita pobreza. Nosso terceiro carro lá em casa (o “carro do rodízio”) é um popular 1.0. Pense no carro nacional mais comum e barato que existe, destes modelos que se vê aos montes nas ruas. A máquina é simples e o acabamento sofrível, mas nos custou US$ 10 mil. O difusor da saída de ar (aquela peça de plástico com aletas móveis), parece feito de manteiga: em um ano, dois quebraram. Nas duas vezes tivemos de esperar um mês pela nova peça, pois a concessionária não tinha no estoque. Já está à venda.

 

Nããão! Quando é que a dinâmica do mercado de automóveis no Brasil vai mudar? Cadê a globalização pondo pilha para nivelar por cima? Por hora, resta ao consumidor se indignar. E, se possível, dizer não!

 

Economista com MBA em Finanças (USP), orientador de famílias e educador em empresas, é colunista da BANDNEWS FM e fundador da SOBREDinheiro. Diretor do site www.oplanodavirada.com.br, da EKNOWMIX Consultores Integrados e da TECHIS SA.

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