Compra parcelada: ganho financeiro vale a pena?

Por fabiosaraiva

marcos-silvestreComércio. Imagine um lojista que comercializa smartphones de um determinado modelo. Sua loja pagou ao fabricante R$ 500,00 por cada aparelho. Fazendo os cálculos na ponta do lápis, o lojista chega à conclusão de que, se vender por R$ 700,00 (com R$ 200,00 de margem sobre o custo da mercadoria), conseguirá ajudar a pagar seus custos de operação (que cabe àquele item bancar), e ainda obterá o lucro desejado (para aquela peça). Daí, então, ele anuncia o smartphone por R$ 700,00 à vista, certo? Errado.

 

“Sem juros”. O lojista sabe que bem pouca gente tem R$ 700,00 prontos. Nem tanto porque o brasileiro ganhe pouco (até poderia ganhar mais) mas principalmente porque não tem cultura de poupança, e daí nunca tem dinheiro maior pronto para nada. Se pedir R$ 700,00 na lata por cada aparelho, ficará com estoque encalhado. Então ele anuncia o tal celular por 12 parcelas “sem juros” de R$ 69,90. Para que desembolsar R$ 700,00 se você pode pagar uma parcelinha de 10% deste valor?!

 

Vendido! Ofertando este plano de  parcelamento “sem juros”, o lojista acabará “rasgando de vender” o tal smartphone, pois viabilizou a venda tanto àqueles que não tinham o dinheiro pronto (nove a cada 10 potenciais compradores), como àquele (uma a cada 10) que tem a grana toda mas não tem “coragem” de torrar sete notinhas de cem num mero celular. De quebra, ampliou seu lucro: agora vai apurar R$ 838,80 no total, R$ 138,80 ou 20% a mais. Parte irá para o banco, mas outra ficará na loja, mesmo.

 

Vantagem! Logo que surgiram os parcelamentos – em três, em seis, em 10 e mais recentemente em 12 vezes “sem juros” – ainda havia a pecha de que parcelar era coisa de pobre. Para evitar o preconceito do consumidor, nada como “racionalizar a vergonha”. Surgiu assim o argumento de que “ao parcelar, você manterá o dinheiro aplicado, e ele ficará rendendo juros, dando a você uma boa vantagem financeira!”.!

 

Vantagem? Quem tiver dinheiro aplicado e preferir pagar em três (não à vista), ganhará pífios 0,60% (de juros) sobre o valor da compra. Mesmo que o parcelamento seja em 12, o ganho será de 3%, ainda diminuto frente ao possível desconto à vista e ao risco de bagunçar o orçamento com tanta parcela pendurada, amargando os elevados juros das dívidas emergenciais. Quer saber? Distância das parcelas! Se tiver, compre; se não, junte! Daí compre à vista e com desconto, sem carnê e sem medo de ser feliz!

 

Economista com MBA em Finanças (USP), orientador de famílias e educador em empresas, é colunista da BANDNEWS FM e fundador da SOBREDinheiro. Diretor do site www.oplanodavirada.com.br, da EKNOWMIX Consultores Integrados e da TECHIS SA.


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