E a cigana falou: inflação, juros, dólar e bolsa irão...

Por fabiosaraiva

marcos-silvestreEu vejo… Não me lembro de ter estudado leitura de bola de cristal no curso de Economia na faculdade. Também não havia na grade curricular a matéria Quiromancia (leitura das mãos). Por que, então, tanta gente pede a economistas que advinhem o rumo dos indicadores econômico-financeiros nos próximos tempos? Em parte, porque seria bom demais saber. E, afinal, alguns colegas se prestam ao traiçoeiro papel de futurólogos dos cifrões. Agora, advinhação é uma coisa, previsão bem informada é outra.

 

Inflação. O dragão nunca hibernou de verdade, apenas cochilava sereno até o final da década passada, quando começou a se inquietar. Ainda não cospe fogo, mas já está de olhos abertos. Nunca houve tanto emprego no país, e a maior parte das categorias está conseguindo aumentos salariais acima da inflação conhecida. Resultado? Demanda aquecida! Daí o empresário fica receoso de investir (muita incerteza!), e aproveita a alta na demanda para elevar seus preços. Resultado? Inflação! (estimativa 2014: 6,5% ao ano).

 

Juros. Quando o governo teme o descontrole da inflação, faz o quê? Sobe os juros! Assim as compras parceladas (com juros explícitos ou embutidos) ficam mais caras, e a oferta de dinheiro emprestado em geral tende a ficar mais penosa (o extra que se paga nas dívidas aumenta um bom tanto). Resultado? A demanda cai, e assim a inflação sossega. Os juros básicos estão hoje em 10,50% ao ano (0,84% ao mês), mas, com a pressão iminente do dragão, chegarão fácil-fácil aos 12% ao ano (0,95% am) até o final de 2014.

 

Dólar. Atualmente na casa dos R$ 2,40, deixa saudades (e mete medo!) a quem se lembra dele perto de R$ 1,60 (há dois anos e meio atrás). Alta de 50% em 30 meses? Ninguém merece! Com uma elevação de 1,36% ao mês, chegaríamos ao final de 2014 próximos dos R$ 2,80. O mais provável, porém, é mesmo a manutenção no nível atual, fruto da forte entrada de dólares com a Copa. Apesar do incômodo deficit na balança comercial, o Brasil deve atrair mais uns US$ 60 bi de investimento estrangeiro direto em 2014.

 

Bolsa. Juro alto = bolsa em baixa, reza a tradição. Mas a Bovespa já sofreu muito desde sua glória em 28/05/2008, quando bateu 71.352 pontos. Hoje na casa dos 47 mil, a verdade é que boas empresas estão uma pechincha. E o Ibovespa vai disparar? Não: a crise externa ainda azeda o humor do investidor estrangeiro. Mas é batata esperar bem mais de 50.330 pts. no final de 2014 (bem mais que a poupança!).

 

Economista com MBA em Finanças (USP), orientador de famílias e educador em empresas, é colunista da BANDNEWS FM e fundador da SOBREDinheiro. Diretor do site www.oplanodavirada.com.br, da EKNOWMIX Consultores Integrados e da TECHIS SA.

 


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