Consumidores do Brasil: o mundo não vai acabar!

Por Carolina Santos

marcos-silvestre“Sem juros”. Na última coluna, apresentei uma situação como esta: um smartphone é anunciado em uma certa loja por 10 parcelas “sem juros” de R$ 99,90 (total de R$ 1 mil). Pesquisando o preço à vista, o potencial comprador descobre que é possível encontrar idêntico aparelho em outra loja por R$ 850,00 “em dinheiro vivo”. Pondo na ponta do lápis: R$ 1 mil (parcelados) – R$ 850,00 (à vista) = R$ 150,00 (juros embutidos). Assim, constatamos que 15% do valor total do bem parcelado são juros disfarçados.

 

Juros: melhor ganhar que pagar! Quem preferir investir os R$ 99,90 na poupança por oito meses, terá então juntado R$ 800,00 mais os “jurinhos” do período, praticamente inteirando os R$ 850,00 necessários para a compra à vista com desconto. Então, é esperar oito meses, levar o smarphone para casa sem carnê (quitado!) e se livrar da obrigação de pagar duas prestações de R$ 99,90 (a 9ª e a 10ª do crediário), numa economia total de R$ 200,00. Assim se pode ganhar um belo jantar para dois, que tal?

 

Mas vai dar para comprar? O exemplo da coluna passada mencionava a compra, não de um celular, mas de uma geladeira parcelada em 10 mensais (com juros disfarçados) X à vista (com desconto). Em qualquer caso, o raciocínio é idêntico. Daí um amigo leitor me escreve e pergunta: “O senhor acha mesmo que, num país como o nosso, oito meses depois a mercadoria vai custar o mesmo preço?”

 

Nem tudo encarece assim, da noite para o dia! Penso que é grande a chance de o preço ser o mesmo, sim. Em um período de tempo relativamente curto como este (menos de um ano), bens de maior valor como uma geladeira, um computador, um celular destes mais sofisticados ou uma TV de LED não devem ficar mais caros, não. Há muita concorrência nestes mercados: o mais provável é que o preço até abaixe, ou então que se mantenha, mas já para um modelo mais novo e evoluído.

 

Paranóia de consumo. Aliás, vale o alerta: dê um jeito de aliviar a pressão de compra que paira no ar, ainda mais nesta época do ano. O mundo não vai acabar. Sem neuras de que uma compra precisa ser feita imediatamente, senão o preço aumentará, o desconto cairá, o estoque zerará, e a “maravilhosa oportunidade de compra” deixará de existir! Como sempre me disse Seu Atilio, meu sábio pai: “Se você perde um boa oportunidade de compra mas continua preparado, logo outra melhor virá.” E vem!

 

Economista com MBA em Finanças (USP), orientador de famílias e educador em empresas, é colunista da BANDNEWS FM e fundador da SOBREDinheiro. Diretor do site www.oplanodavirada.com.br, da EKNOWMIX Consultores Integrados e da TECHIS SA. Marcos Silvestre escreve no Metro São Paulo

 

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo