Bicicleta ou cavalo?

Por fabiosaraiva

lizemara-prates-colunistaO desafio do Dia Mundial sem Carro na última segunda-feira me remeteu ao campo e à possibilidade de um Dia sem Cavalo. Não consegui realizar esta imaginação a pleno porque no meio rural, o cavalo é indispensável. Tanto quanto o carro nas cidades? Com certeza, nos dois casos, há alternativas. Não imagino a população das grandes cidades substituindo automóveis por cavalos e vice-versa. Mas, podemos usar o transporte coletivo nas áreas urbanas, a bicicleta ou simplesmente andar. O mesmo podemos fazer no campo, onde há ainda o trator. Para algumas fórmulas funcionarem há combinações indispensáveis.

No caso da bicicleta, é necessário ter clima e topografia favoráveis. E estacionamento. Este é ainda um grande desafio. Em Porto Alegre estão sendo criados os paraciclos para as bikes. Sou adepta das magrelas. Mas só nos finais de tarde ou de semana, como lazer. Infelizmente, não consigo me deslocar nas atividades profissionais com este transporte.

Sinto imenso prazer ao chegar na ciclovia da avenida Beira-Rio e apreciar o pôr do sol pilotando minha bicicleta. Posso parar onde quiser e ficar o tempo que desejar apreciando o espetáculo. De carro é impossível. Corro o risco de ser linchada pelos apressados motoristas. Só para registrar: também sou motorista. E, quase sempre, tenho muita pressa. Imagino que quem vive no campo tem a mesma sensação ao estar em cima do “pingo” no entardecer ou amanhecer. Parar rodeio sem cavalo é praticamente impossível. Como o peão conseguirá reunir o rebanho? Há quem diga que é possível fazer campereada motorizada. Para mim soa como brincadeira, embora em alguns países na Europa e Nova Zelândia, por exemplo, a falta de mão de obra esteja reduzindo esta forma de trabalho. Tem até carrinho elétrico sendo usado na lida campeira.

Para mim, o cavalo é intrínseco ao campo. Então, seria o carro intrínseco à cidade? Não. Aqui há opções de transporte. No campo também não é possível fazer toda a lida no lombo do cavalo. Foi-se o tempo em que o transporte era feito pelas carretas. Tenho orgulho de ser filha de um homem que foi carreteiro na juventude. Passava dias em estradas empoeiradas, dormindo nos pelegos e comendo charque e pão dormido, o que era possível conservar sem refrigeração. Hoje, no entanto, as carroças são quase decorativas.

Sem dúvida, vivemos outros tempos. Tempos em que pedestres, veículos e bicicletas disputam lugar. Pessoas perdem a vida diariamente em acidentes e atropelamentos. Sem ser utópica, penso que podemos escrever a história de outra forma. Pelo menos tentar.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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