Acampamento Farroupilha

Por fabiosaraiva

lizemara-prates-colunistaÉ recorrente a pergunta sobre a ligação do Acampamento Farroupilha com a Expointer. Até porque, no calendário, um evento vem logo após o outro. Os dois estão ligados à tradição gaúcha. No Acampamento, a cultura rio-grandense, a culinária, os hábitos e costumes, a indumentária, a música são os destaques. Na Expointer, as vedetes são os animais e as máquinas agrícolas. Nos dois espaços há artesanato e produtos das agroindústrias. Há cavalos. Muito churrasco, chimarrão e carreteiro. Uma diferença são os jogos de carta, como o truco, que ganhou até um baralho farroupilha. É comum a gritaria dos jogadores, afinal é o chamado jogo da mentira. Outra é a bailanta, o tradicional baile de campanha.

Podemos dizer que nos dois casos, são verdadeiras cidades temporárias. A população é maior do que a de muitos municípios. Se somarmos os dois eventos, são mais de um milhão de visitantes.

Neste ano, o acampamento está ampliado por conta da Copa do Mundo. Esta cidade que ganhou forma mais cedo, fica às margens do lago Guaíba. Ou seria rio? Não vou entrar na discussão. Vou sim, acrescentar que tem um belíssimo pôr do sol. E este cenário bucólico remete ao campo. Claro que precisamos fazer um exercício de imaginação para tirar os veículos e os prédios da fotografia. Como é gostoso ver esta relação da tradição campeira com a cidade.

É inevitável relembrar a infância e adolescência no interior. Os desfiles de setembro. Eram semanas ensaiando com a banda da escola para o desfile da Independência. Ensaio que passava pelas ruas da cidade e mobilizava os moradores. O ponto alto era fazer parte da banda ou dividir os pelotões. Quem estava nesses lugares era mais “notado”. No desfile de 20 de Setembro, o destaque era montar a cavalo ou ocupar lugar numa carroça ou charrete. Consigo relembrar um tanto dessa época aqui na capital, no Centro, às margens do nosso cartão-postal. Especialmente, no desfile na avenida Beira-Rio.

O Hino Rio-Grandense diz que “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. Façanhas que remetem a conquistas, a lutas por ideais que se justificaram ao longo do tempo.

É hora de experimentar uma forma pacífica e prazeirosa de valorizar nossa história e nossos antepassados.

E quem sabe de remexer baús e encontrar antigos vestidos de prenda e pilchas. E, se possível, usá-los com o orgulho de ser gaúcho inflando o peito.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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