Bullying positivo

Por fabiosaraiva

lizemara-prates-colunistaSempre defendi que o resultado é que vale. No futebol, entendo que não adianta jogar melhor e perder. Nesta lógica, deveria estar decepcionada com o resultado de R$ 560 milhões a menos no faturamento da Expointer 2014 em comparação com a do ano passado. Pois inverti a lógica. Desprezei os números. Entendi que a vitrine da agropecuária não se faz somente com os negócios. Mas também com a presença dos visitantes. Neste quesito, o resultado foi acima de 2013. Quinhentas mil pessoas passaram pelo parque Assis Brasil, em Esteio, nos nove dias de feira. Alguns mobilizaram mais. Estou me referindo aos candidatos que lideram as pesquisas para a presidência da República. Foram 24 horas de frisson. Marina Silva chegou primeiro. Confesso uma frustração com esta visita. Não vi a candidata. Somos pequenas, ela e eu. E havia entre nós uma imensa barreira de fotógrafos, cinegrafistas, repórteres, curiosos. Além disso, ela conseguiu caminhar poucos metros no parque. Com a presidenta Dilma foi diferente. A vi, à distância. Ela, na Tribuna de Honra na cerimônia de inauguração oficial, e eu na pista central narrando o que via. A presidenta-candidata passeou pelo parque de carrinho elétrico. O candidato Aécio Neves foi o único que vi de perto. Esteve na Casa da Band. Andou a pé pelo parque.

Dentro da minha tese de que o resultado é o que importa, quer melhor do que isso: o atual e o futuro presidente da República vieram a Expointer. E pensar que passamos 17 anos sem a presença de um presidente na feira. José Sarney veio em 1986 e Lula em 2003. Lula voltou, assim como Dilma Rousseff.

Vivi uma espécie de bullying positivo nas visitas dos presidenciáveis. Fui submetida a uma tensão que incluiu auto cobrança. Gostaria de ter estado com os três candidatos. Ter falado com eles. Não foi possível, mas a feira saiu valorizada. Os produtores que garantem alimentos às nossas mesas foram reconhecidos. Afinal, são responsáveis por um terço do PIB gaúcho e pelo saldo positivo da balança comercial.

Os candidatos ouviram as entidades que representam o setor. Os três passaram pela Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul. Marina não saboreou nossos produtos. Dilma disse que antes de voltar a Brasília compraria a melhor carne do país para levar ao Palácio da Alvorada e Aécio comeu picanha rio-grandense afirmando que é a melhor.

Não esqueci que vieram atrás de votos. Mas, me senti orgulhosa de mostrar a eles, ao país e ao mundo, o que fazemos aqui. E sem nenhuma modéstia.

Meu desejo é que o presidente eleito venha em 2015. Estarei lá para vê-lo.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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