O Grêmio: ou ganha ou é garfado!

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghetti-colunistaTalvez Felipão tenha acertado o alvo, mas com a arma errada, com a munição errada e na hora errada. Este não é o momento mais adequado para o tipo de insinuação que fez no último domingo, ainda mais apoiada num frágil pilar de papel quanto o lance com Fábio Santos. O trabalho de Felipão à frente do Tricolor é muito bom. Mas ele deve se concentrar mesmo é no time. Corrigir os problemas, fazer o que sabe fazer: treinar este Grêmio.

Luís Felipe Scolari calçou sua tese de favorecimento aos times do centro do país no polêmico lance em que Ramiro tenta o cruzamento e a bola bate em Fábio Santos. Ainda que o assistente Guilherme Dias Camilo tenha sido incompetente ao erguer a bandeirinha, a tese não durou nem 24 horas. Na chegada em Porto Alegre, o gremista Ramiro, envolvido na jogada, começou a desmontá-la ao falar, com inesperada franqueza, que não viu toque do lateral corintiano. Horas depois novas imagens escancaram que a bola bateu na testa de Fábio Santos.

As insinuações de Felipão não foram consistentes. Ele não tinha nada mais além do que a sua indignação. E sustentou tudo em um ou outro lance de menor relevância e especialmente na possibilidade de um pênalti que não aconteceu como ele sugere. A imagem o desmente. Ramiro também. No meio da semana passada já havia perdido o controle ao detonar desnecessariamente o quarto árbitro, Márcio Coruja, rotulando-o de colorado. Convenhamos, que participação teve o senhor Coruja na virada do Cruzeiro dentro da Arena? O bom treinador Felipão exagera, cria factoides, desvia o foco. Com ele, o Grêmio nunca perde. Ou ganha ou é garfado. Às vezes empata, também com algum prejuízo da arbitragem.

Mas entendo que ele não consiga enxergar algumas situações. Ou melhor, não queira.  Já foi assim na Copa do Mundo quando se saiu a dizer que o Brasil foi melhor agora do que em 2010. Com a vida resolvida, Felipão não tem travas na língua. Diz o que quiser, quando quiser, e arca com as consequências. Não haverá dirigente capaz de orientá-lo. E muito menos de cobrá-lo pela dificuldade de ver, por exemplo, que o Cruzeiro mudou o jogo e conseguiu a virada em cima do Grêmio. E não foi o quarto árbitro o responsável por isso.

O competente Felipão, homem de muitos títulos e um vencedor nato, já não mede mais palavras.  E ele está certo quando diz que clubes do centro do País são favorecidos pela arbitragem e em julgamentos do STJD ou decisões da CBF. Sempre foi assim e continuará sendo. Inclusive quando Felipão trabalhou e venceu no Palmeiras, em duas oportunidades. E mesmo quando passou pela Seleção, também em duas oportunidades, vinculado à mesma CBF que há décadas beneficia paulistas e cariocas.

Esta mania exagerada de encontrar inimigos na arbitragem, na mídia e fora de campo, é uma forma ultrapassada de tentar mobilizar o vestiário. Melhor cuidar de Everton Ribeiro, Paolo Guerrero, e focar agora no Bahia e no Flamengo.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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