O competitivo Grêmio tem carências, mas avança

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghetti-colunistaAo diagnosticar as fragilidades da equipe, Luiz Felipe Scolari acertou o time do Grêmio. Bem assessorado por seus auxiliares Ivo Wortmann e Flávio Murtosa, com a equipe voando com Fábio Mahseredjian, o treinador retomou seu estilo competitivo. Fez do Grêmio um time que briga pelo resultado. Limitado. Mas lutador.

Felipão estabeleceu uma ordem de prioridade para tornar esta equipe competitiva. Primeiro, ajustou o sistema defensivo. Testou opções na lateral direita e acabou apostando em Pará. Também tentou formações diferentes no miolo de zaga. E fixou Geromel e Rhodolfo. Reposicionou Zé Roberto na esquerda, quebrando o paradigma de que o veterano jogador estivesse sem condições físicas. Num time organizado, Zé Roberto tornou-se um lateral que ameniza o grave problema de articulação da equipe. Este é um dos principais trunfos da gestão Scolari.

A articulação continua sendo o calcanhar de Aquiles deste Grêmio. Foi assim com Luxemburgo, com Renato, com Enderson Moreira. E é com Felipão. Mas ao equilibrar a equipe optou por ter uma formação mais competitiva e menos criativa. Edinho, badalado na contratação, foi esquecido. Riveros, titular incontestável, foi para o banco de reservas. E não deixa de ser uma alternativa interessante. Walace foi promovido. Fellipe Bastos, que chegou pouco antes da mudança de treinador, afirmou-se em campo e também como liderança desta equipe. E Ramiro voltou a jogar seu bom futebol. Marca e conclui com direito a gol em Gre-Nal.

A articulação deste Grêmio é falha. Mas foi atenuada. Ao contar com a qualidade e os avanços de Zé Roberto, protegido por Fellipe Bastos, Felipão diminuiu o tamanho do problema, ainda que persista. E os homens de frente cresceram com a chegada do treinador. Barcos aumentou sua taxa de participação nos jogos. Luan, ainda instável, ganhou confiança e poderá evoluir com a maturidade. E Dudu é o escape. A ele foi dada liberdade para jogar pelos dois lados. Ou seja, que busque espaços vazios. E o faz com eficiência.

O Grêmio está muito longe de ser um timaço. Mas estes três meses e meio de Felipão são animadores. Nos últimos dez jogos, acumula seis vitórias, dois empates e duas derrotas. Aproveitamento de quase 67%, o que significaria o segundo lugar no Campeonato Brasileiro. Depois de vencer o clássico com autoridade, terá amanhã seu maior teste de exigência. Encara o líder, virtual campeão brasileiro e finalista da Copa do Brasil. Mas a vaga a Libertadores, que pode ser encaminhada contra o Cruzeiro, passa mesmo é pelo confronto de domingo. Contra o Corinthians, em São Paulo, o Grêmio estará decidindo seu calendário em 2015. O jogo entre os dois ex-técnicos da Seleção praticamente vale presença na principal competição continental na próxima temporada.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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