STJD, a versão moderna do Orlando Orfei!

Por lyafichmann

O futebol brasileiro tem uma gigantesca incapacidade de ser isento e justo. É liderado por entidades viciadas, que não possuem qualquer escrúpulo para ajudar os mais poderosos e mais influentes. A CBF perdeu legitimidade para comandar nosso futebol. Desde os escândalos de Ricardo Teixeira. Talvez antes mesmo já tivesse perdido a confiança da sociedade, mas os episódios com o então presidente da entidade escancaram comportamentos que já nem são mais duvidosos. Representam a certeza de um caminho errado e comprometido.

Esta coluna não tem a intenção de erguer uma bandeira farroupilha contra os desmandos do futebol brasileiro. Mas cansei de conviver com este tipo de postura de auditores do STJD ou dirigentes da CBF, que nem ruborizados ficam com decisões que só tem coerência com os interesses pessoais.

A CBF é incompetente. O STJD não é sério!

Quer dizer, a Portuguesa não pode ter um jogador irregular no Campeonato Brasileiro. O Corinthians pode. O Novo Hamburgo, com força política menor que a Lusa, também não pode.

Não deveria ter relevância que a Federação Paulista de Futebol consiga defender seu filiado com unhas e dentes enquanto a Federação Gaúcha de Futebol prefira silenciar diante de situações delicadas.

Os torcedores se matam nos clássicos paulistas.  Combinam brigas pelas redes sociais, atiram pedras um na cabeça do outro, trocam tiros, jogam o carro para cima do torcedor adversário. E segue a vida. Bola rolando.

Daí uma torcedora gremista xinga o goleiro do Santos. Exagera na dose. Grita palavras racistas, o que, sabemos, é um absurdo e merece punição. Mas o campeonato para! O clube, primeiro, é excluído. Ineditamente excluído por racismo, problema que lamentavelmente acontece com frequência em estádios do Brasil sem qualquer medida drástica. Depois, num remendo de julgamento, este clube perde três pontos e é “apenas” eliminado da competição. Pouco importa que um dos auditores tenha ido de cueca à sessão do STJD condenar o Grêmio. O sujeito usou sua página em uma rede social para publicar conteúdo racista. E sentiu-se no direito de participar de um julgamento do STJD sobre este mesmo tema.

E quem esqueceu de 2005? A máfia do apito foi descoberta e o STJD exigiu que 11 partidas fossem realizadas novamente. O beneficiado: o Corinthians! Se todos os jogos no Brasil que tiveram garfadas intencionais da arbitragem tiverem de ser jogados novamente é melhor Charles Miller entrar no navio de novo. Vamos recomeçar do zero!

O teatro é tão grande que os caras do STJD efetivamente realizam os julgamentos. Com começo, meio e fim, com relator, depoimentos, defesas e tudo mais. E, pior, a mídia faz a cobertura do julgamento. O STJD, de fato, concorre com o Orlando Orfei. Ou com o Tihany! Estamos falando de circos, famosos circos que eu mesmo vi, dezenas de vezes, levado pelo meu avô em tardes quentes de domingo. E, como acontece no STJD, eu ia lá, sentava na cadeirinha, comia pipoca, e achava que o leão poderia comer o domador! Ou que as motos iam se chocar no globo da morte.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band-RS. Diariamente comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV.

 

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